O empresário Cláudio Moura da Silva, dono de uma empresa de consórcio, foi preso na manhã desta quarta-feira (29) durante uma operação da Polícia Civil do Piauí. A ação investiga um esquema de golpes que envolvia a venda de falsas cartas de crédito em Teresina.
A Justiça também determinou a suspensão das atividades da empresa, localizada na Avenida Miguel Rosa, na zona Sul da capital.
Denúncias e Esquema Fraudulento
Segundo o delegado Sérgio Alencar, responsável pela investigação, a empresa é alvo de diversas denúncias de consumidores que acreditavam estar adquirindo cartas de crédito já contempladas para a compra de veículos e imóveis. Os clientes eram atraídos pela promessa de receber rapidamente valores para financiar bens.
No entanto, ao chegarem à data prevista para a contemplação, descobriam que haviam assinado contratos de consórcio tradicionais, e não de cartas já contempladas, como acreditavam. “A pessoa tinha interesse em comprar um veículo ou um imóvel. Procurava a empresa e era informada de que receberia uma carta contemplada em determinado prazo. Quando chegava o dia, descobria que, na verdade, havia aderido a um consórcio comum”, explicou o delegado.
Pagamentos Antecipados e Prejuízos
Ainda segundo as investigações, as vítimas eram orientadas a realizar pagamentos antecipados que chegavam a cerca de 20% do valor da carta de crédito. Em um dos casos investigados, o prejuízo de uma vítima pode ter chegado a R$ 150 mil. “Uma pessoa que acreditava estar comprando uma carta contemplada de R$ 100 mil, por exemplo, pagava cerca de R$ 20 mil de entrada. Depois descobria que não havia qualquer contemplação garantida”, detalhou Sérgio Alencar.
Investigações em Andamento
A Polícia Civil informou que já existem mais de 130 boletins de ocorrência relacionados ao caso. Embora o número oficial de vítimas identificadas na investigação seja menor, os investigadores acreditam que a quantidade de prejudicados seja significativamente superior. “Oficialmente, temos dezenas de vítimas registradas, mas sabemos que muitas pessoas não chegam a procurar a polícia. Os prejuízos variam de R$ 5 mil a R$ 150 mil”, afirmou o delegado.
As investigações não devem atingir apenas o proprietário da empresa. Funcionários que tinham conhecimento da suposta prática criminosa também poderão ser responsabilizados. “Quem participou do esquema e tinha consciência do que acontecia será investigado e poderá responder pelos crimes apurados. Não estamos tratando apenas da atuação do proprietário”, disse.
Prejuízo Total e Consequências Legais
A Polícia Civil ainda não concluiu o levantamento financeiro dos danos causados, mas a estimativa inicial é de que o prejuízo total das vítimas chegue à casa dos milhões de reais. O empresário permaneceu em silêncio durante os procedimentos policiais, exercendo o direito constitucional de não prestar depoimento. Após os trâmites legais, ele foi encaminhado para audiência de custódia e ficará à disposição da Justiça.
Fonte: portalclubenews.com