Começa na segunda-feira (24), em Teresina, a audiência de instrução e julgamento da vereadora Tatiana Medeiros (PSB) e de outros oito réus, com previsão de se estender até a sexta-feira (28). O Fórum Eleitoral da capital piauiense, localizado na Zona Sul, sediará os depoimentos, que contarão com um esquema de segurança reforçado.
A parlamentar foi detida em abril, durante a Operação Escudo Eleitoral da Polícia Federal. A investigação aponta que o financiamento da campanha que a elegeu para a Câmara de Teresina, em outubro de 2024, teria envolvido “recursos ilícitos de uma facção criminosa”.
A audiência estava inicialmente agendada para ocorrer entre os dias 13 e 17 de outubro, mas foi suspensa pela Justiça Eleitoral após o Tribunal de Justiça do Piauí anular um relatório financeiro que serviu de base para a acusação. A anulação se deu devido à obtenção do documento sem a devida autorização judicial.
Essa fase do processo, a audiência de instrução e julgamento, é considerada crucial. Nela, o juiz analisará as provas apresentadas e ouvirá testemunhas, os réus e especialistas, antes de proferir a sentença.
O acesso ao Fórum Eleitoral durante a audiência será restrito a juízes, réus, advogados, testemunhas, servidores e jornalistas previamente credenciados. A expectativa é que a juíza Junia Maria Feitosa Fialho, da 1ª Zona Eleitoral de Teresina, conduza os trabalhos, com o objetivo de ouvir pelo menos 20 pessoas por dia, totalizando 112 depoimentos ao longo dos cinco dias. Desse total, 103 são testemunhas arroladas pela defesa e pelo Ministério Público, e nove são os acusados.
Além de Tatiana Medeiros, respondem ao processo Alandilson Cardoso Passos (namorado da vereadora), Stênio Ferreira Santos (padrasto), Maria Odélia de Aguiar Medeiros (mãe), Emanuelly Pinho de Melo (assessora), Bianca dos Santos Teixeira Medeiros (irmã), Lucas de Carvalho Dias Sena (cunhado), Bruna Raquel Lima Sousa e Sávio de Carvalho França (funcionários da ONG Vamos Juntos).
Os réus enfrentam acusações que variam entre organização criminosa, corrupção eleitoral, falsidade ideológica eleitoral, peculato, lavagem de dinheiro, violação do sigilo do voto, agiotagem e apropriação indébita eleitoral, dependendo do envolvimento de cada um no caso.
Após a prisão preventiva de Tatiana Medeiros, decretada em março, a Justiça Eleitoral determinou seu afastamento do cargo de vereadora. Leondidas Júnior (PSB) assumiu a vaga como suplente, conforme o regimento interno da Câmara de Teresina.
Durante o período em que esteve detida no Quartel do Comando Geral, Tatiana Medeiros apresentou problemas de saúde e precisou ser hospitalizada no Hospital de Urgência de Teresina (HUT) e no Hospital da Polícia Militar (HPM). Em junho, a Justiça concedeu-lhe prisão domiciliar por motivos de saúde, mediante medidas cautelares.
Em outubro, a vereadora obteve uma liminar que revogou sua prisão, após a anulação do relatório financeiro utilizado como prova contra ela. No entanto, o Tribunal Regional Eleitoral decidiu manter a prisão domiciliar e o afastamento da parlamentar, justificando que seu retorno à Câmara poderia levar à “destruição de provas e retorno da influência” do crime organizado no Poder Legislativo.
Fonte: g1.globo.com