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Tarifaço de Trump: cooperativa de mel do Piauí liga máquinas após queda de taxa

A Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), em Picos (PI), reacendeu suas máquinas de produção de mel na sexta-feira (20), após dois meses com as portas fechadas. A retomada foi impulsionada pela decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que derrubou a tarifa de 50% imposta pelo então presidente Donald Trump. Contudo, […]

G1

A Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), em Picos (PI), reacendeu suas máquinas de produção de mel na sexta-feira (20), após dois meses com as portas fechadas. A retomada foi impulsionada pela decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que derrubou a tarifa de 50% imposta pelo então presidente Donald Trump. Contudo, a celebração veio acompanhada de um novo cenário: Trump anunciou, no sábado (21), uma nova tarifa global de 15%, o que especialistas apontam como uma sobretaxa final sobre os produtos brasileiros.

O grupo de cooperativas, que integra 840 famílias, demonstra otimismo cauteloso. Segundo o diretor Sitônio Dantas, apesar da derrubada inicial da tarifa, os produtores e exportadores aguardam o desenrolar das negociações para efetivar a retomada das vendas. “Não conseguimos até agora renovar os contratos devido à dificuldade da questão da tarifa, que onera muito o mel brasileiro”, explicou Dantas. Ele afirmou que as últimas vendas foram concluídas no fim de 2025, baseadas em contratos firmados no início do ano passado.

Apesar dos entraves, o setor piauiense de mel possui uma vantagem competitiva: a produção orgânica. Dantas ressaltou que a Casa Apis é responsável por fornecer 90% do mel orgânico que os Estados Unidos adquirem no mercado global há três anos. “Eles não encontraram outros países produtores com esse valor, por isso se submeteram a comprar com tarifa”, destacou.

Além das questões tarifárias, as chuvas irregulares representam outro desafio para os produtores locais, atrasando o início da safra de mel em 2026. A seca extrema provocou uma queda de 35% na produção da Casa Apis, que viu o volume cair de 10 mil para 6,5 mil toneladas. “Agora é torcer pela redução das tarifas e distribuição das chuvas”, completou Sitônio, com a expectativa de que as exportações possam retornar ainda este mês.

Impacto e cronologia das tarifas

A decisão da Suprema Corte é vista como um alívio para o setor. Duas decisões anteriores já haviam retirado outros itens da lista de tarifas de Trump, mas o mel só foi contemplado agora. Além do mel, produtos como café solúvel, uva e pescados podem se beneficiar. Renato Azevedo, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), acredita que a queda das tarifas pode destravar as negociações e que os efeitos positivos podem ser percebidos já em março. “A queda traz de volta a competitividade ao mel brasileiro e nos coloca novamente numa posição de igualdade perante os concorrentes que temos”, declarou.

O histórico das tarifas de Trump é complexo. Em abril de 2025, uma taxa adicional de 10% foi aplicada a produtos brasileiros. Em junho, houve uma elevação para 50% sobre aço e alumínio. Julho trouxe um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total de diversos itens para 50%, com uma extensa lista de exceções.

Em novembro, após negociações diretas entre Trump e o presidente Lula, os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas. A virada ocorreu em 20 de fevereiro de 2026, quando a Suprema Corte invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas, derrubando a taxa “recíproca” de 10% e a sobretaxa de 40% sobre o Brasil. No mesmo dia, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10%. Em 21 de fevereiro, o valor foi ajustado para 15%, buscando corrigir, segundo ele, “décadas de práticas comerciais injustas”.

O retorno da Casa Apis à plena atividade, impulsionado pela mudança nas políticas tarifárias, representa um fôlego para as famílias produtoras de Picos. A expectativa agora se concentra nas próximas etapas das negociações internacionais e na regularidade das chuvas para garantir a safra futura.

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Fonte: https://g1.globo.com

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