O Sistema Único de Saúde (SUS) começa a oferecer, a partir desta semana, nove novos medicamentos para o tratamento de câncer, ampliando as opções de tratamento para 13 indicações da doença. A iniciativa, que deve beneficiar cerca de 116 mil pacientes, é parte de uma nova política do Ministério da Saúde.
Os medicamentos serão utilizados em casos de tumores de mama, estômago, rim, próstata, pulmão e tireoide. Entre os fármacos, destaca-se o abemaciclibe, que pode custar mais de R$ 350 mil por ano na rede privada, sendo indicado para câncer de mama em estágio inicial com alto risco de recorrência.
AF-Onco: nova política de tratamento
Os novos medicamentos fazem parte do programa AF-Onco, uma estratégia desenvolvida pelo Ministério da Saúde em conjunto com estados e municípios para organizar a oferta de tratamentos oncológicos. A expectativa é que, até o final do ano, 23 novos fármacos estejam disponíveis na rede pública, aumentando em 35% as opções de tratamento para câncer.
O anúncio oficial da nova oferta será realizado durante um ato nacional da oncologia nesta terça-feira (20), às 10h, no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, com a presença do ministro Alexandre Padilha e gestores do SUS em outros 19 hospitais.
Distribuição e indicações ampliadas
Os nove medicamentos serão distribuídos em 21 centros de tratamento em 17 estados. Alguns deles já eram adquiridos pelo SUS, mas para diferentes indicações. Por exemplo, o trastuzumabe, que atualmente é utilizado para câncer de mama, agora também será disponibilizado para pacientes com tumor no estômago.
Além disso, a ampliação das indicações do rituximabe permitirá que pacientes com linfomas e leucemias também se beneficiem. O gefitinibe, que desde 2013 estava previsto para pacientes com câncer de pulmão, finalmente será disponibilizado.
Reforço orçamentário e controle na distribuição
Para viabilizar essa nova política, o Ministério da Saúde destinou R$ 3,9 bilhões do Orçamento de 2027 para reformular a política de compras de medicamentos oncológicos. O valor ainda precisa da aprovação do Congresso Nacional.
Padilha ressaltou a importância de proteger o orçamento destinado à área de câncer e ao SUS, enfatizando que a nova política inclui um controle mais rigoroso na distribuição dos medicamentos, especialmente os de maior custo, que exigirão autorização prévia para a liberação.
Rastreamento e novas cirurgias
Além da oferta de medicamentos, o ministério também anunciou a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para rastreamento do câncer colorretal, que será implementada gradualmente nas Unidades Básicas de Saúde a partir de novembro. O teste é voltado para homens e mulheres entre 50 e 75 anos e busca identificar a presença de sangue oculto nas fezes.
O Ministério da Saúde também começará a custear cirurgias videotorácicas oncológicas, que são minimamente invasivas e prometem reduzir o tempo de internação e complicações pós-operatórias.
Fonte: noticiasaominuto.com.br