A hiperplasia prostática benigna (HPB) desponta como uma das condições urológicas mais prevalentes no envelhecimento masculino, impactando significativamente a qualidade de vida. Queixas como jato urinário fraco, aumento da frequência ao banheiro e a incômoda sensação de esvaziamento incompleto são rotineiras para muitos homens. Diante disso, a busca por soluções eficazes para a saúde da próstata é constante, e nos últimos anos, o mercado de nutracêuticos tem ganhado destaque com a promessa de alívio e prevenção.
Tratamento Tradicional e a Ascensão dos Nutracêuticos
Historicamente, o tratamento da HPB inicia com medicamentos como alfa-bloqueadores, mas estes não são isentos de efeitos colaterais, especialmente os relacionados à função sexual, o que pode gerar resistência, principalmente em homens mais jovens. A lentidão na inovação farmacológica abriu espaço para o surgimento acelerado de produtos “naturais”, à base de extratos vegetais e antioxidantes. Contudo, a velocidade do marketing muitas vezes supera a base de evidências científicas que sustentam essas promessas.
Um amplo estudo publicado no *Archivio Italiano di Urologia e Andrologia* analisou os principais nutracêuticos para HPB, prostatites e prevenção do câncer de próstata. A conclusão é clara: o espaço para esses compostos na prática clínica é limitado, e sua utilização deve ser vista como adjuvante, nunca como substituto para terapias consagradas, e sempre com indicação e formulação corretas.
Serenoa Repens e Outras Promessas: O que Dizem as Pesquisas?
Entre os fitoterápicos mais estudados, a *Serenoa repens* se destaca na HPB. Embora haja um benefício modesto, porém real, na melhora de sintomas urinários leves a moderados, com eficácia por vezes superior ao placebo, a inconsistência entre estudos é um alerta. A padronização do produto é crucial, um fator pouco discutido fora do meio médico.
Pesquisas recentes focam no metabolismo energético prostático, com estudos sobre a L-carnitina (LC) e a Coenzima Q10 (CoQ10). Um estudo clínico randomizado com homens idosos com HPB, em uso de finasterida, que associou LC e CoQ10 à terapia padrão, revelou resultados após oito semanas: redução do volume prostático e melhora da função erétil. Contudo, em desfechos cruciais para os pacientes – como dificuldade para urinar, jato fraco e noctúria – não houve diferença significativa nos escores urinários ou nos níveis de PSA.
Essa distinção é vital: alterar a biologia da próstata não se traduz, necessariamente, no alívio dos sintomas. O benefício de LC e CoQ10 parece focar mais na esfera metabólica e sexual, podendo até mitigar efeitos adversos da finasterida, mas sem substituir o tratamento convencional. O mesmo se aplica a outros nutracêuticos como licopeno e selênio, que mostram mecanismos plausíveis, mas ainda carecem de evidências clínicas robustas para a melhora sustentada de sintomas ou prevenção efetiva da doença.
No universo das cápsulas e propagandas, a principal lição é sobre como usar esses produtos: de forma complementar, em pacientes bem selecionados, com sintomas leves ou preocupação com efeitos colaterais de medicamentos. Eles não devem, em hipótese alguma, ocupar o lugar de terapias com eficácia comprovada. O caminho mais seguro para a saúde prostática é guiado pela medicina baseada em dados científicos, e não por atalhos de marketing.
Para informações mais detalhadas e personalizadas sobre a saúde da próstata, consulte sempre um especialista.
Fonte: https://portalclubenews.com