O prefeito Silvio Mendes (União Brasil) anunciou a recusa em autorizar a construção de uma nova policlínica em Teresina, que seria financiada com verbas federais. A decisão, segundo Mendes, deve-se à inviabilidade do custeio operacional da unidade, que ficaria sob responsabilidade da Prefeitura. O gestor argumenta que o município não possui recursos para arcar com os custos de funcionamento, insumos e quadro de funcionários de mais uma estrutura de saúde pública na capital piauiense.
A proposta da policlínica surge em um cenário de redefinição de projetos na cidade. Na gestão anterior, do ex-prefeito Dr. Pessoa (PRD), foi iniciada a obra do Hospital da Mulher, orçada em mais de R$ 70 milhões e localizada próximo ao viaduto da Avenida Miguel Rosa. Esse empreendimento, financiado por um empréstimo, foi paralisado logo após seu início.
Silvio Mendes, ao assumir a gestão do Palácio da Cidade em 2025, determinou alterações no projeto original do Hospital da Mulher. A nova previsão era de erguer uma policlínica no mesmo local, utilizando recursos de emendas parlamentares, além de um estacionamento para atender o Hospital de Urgência de Teresina (HUT). Contudo, a preocupação com a sustentabilidade financeira prevaleceu para a nova oferta federal.
Custeio inviável e busca por alternativas
Em entrevista concedida nesta quarta-feira (28), o prefeito reiterou que o sistema de saúde municipal já se encontra sobrecarregado. “Estavam oferecendo a construção de uma policlínica em Teresina e eu não aceitei. Seria bom? Sim. A gente precisa? Também”, ponderou Mendes, ao lembrar de uma articulação feita no ano passado. Naquela ocasião, uma comitiva com a bancada federal, o governador Rafael e o ministro Wellington Dias buscou no Ministério da Saúde recursos especificamente para o custeio do sistema de saúde da capital, sem resultados práticos, segundo o prefeito.
Para lidar com a demanda por serviços de saúde e a limitação de recursos, Mendes apontou para um acordo já estabelecido com a Clínica Batista, situada no Centro. Este espaço, conforme o prefeito, está apto a absorver parte dos atendimentos municipais, com a regulação sendo feita pela Fundação Municipal de Saúde (FMS).
“Como eu vou aumentar uma despesa que não posso sustentar nem a que eu tenho hoje? Não vou fazer, não aceito”, afirmou o prefeito, deixando claro que, sem a garantia de custeio por parte da União, a construção de mais uma policlínica não seguirá. A decisão reflete o desafio de expandir a infraestrutura sem a devida sustentabilidade operacional.
A situação da saúde pública em Teresina permanece um ponto de atenção para a população, especialmente diante de históricos como a primeira fase da auditoria do TCE, que detectou falhas nas obras do antigo projeto do Hospital da Mulher.
Fonte: https://portalclubenews.com