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Mercado prevê manutenção da Selic em 15% antes de decisão do Copom

As expectativas do mercado financeiro para a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para a próxima quarta-feira (18), tornaram-se mais cautelosas. O que antes era uma aposta majoritária em um corte de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, cedeu espaço para a possibilidade de uma redução menor, […]

Sede do Banco Central, em Brasília 18/12/2024 REUTERS/Adriano Machado

As expectativas do mercado financeiro para a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para a próxima quarta-feira (18), tornaram-se mais cautelosas. O que antes era uma aposta majoritária em um corte de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, cedeu espaço para a possibilidade de uma redução menor, de 0,25 ponto, e, mais recentemente, ganhou força a ideia de que os juros sejam mantidos no patamar atual.

Essa mudança de humor foi claramente percebida na Opção de Copom, um derivativo negociado na B3. No dia 5 de março, a chance de um corte de 0,50 ponto era de 65,5%. Em apenas uma semana, essa projeção caiu para 39%, enquanto a aposta em um corte de 0,25 ponto subiu para 51%. Já na sexta-feira (13), a tendência conservadora se consolidou: a manutenção dos juros, antes com apenas 8%, avançou para 25%, superando a expectativa de corte de 0,50 ponto, que recuou para 23%.

Inflação e Petróleo: os gatilhos da cautela

Dois fatores principais ajudam a explicar essa virada nas projeções, que representam a maior chance de o Banco Central não iniciar um ciclo de queda da Selic desde 23 de janeiro. O primeiro foi o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro. Apesar de um alívio no número cheio, que subiu 0,70% no mês e acumulou 3,81% em 12 meses, os detalhes do índice, especialmente nos núcleos de inflação e serviços, mostraram-se menos favoráveis do que o esperado pelo mercado. Analistas destacam que, embora a desinflação continue, ela se mostra irregular e suscetível a tropeços.

O segundo vetor de cautela é a alta do petróleo no mercado internacional. A piora do conflito no Oriente Médio fez com que a commodity voltasse a subir, impactando diretamente o debate sobre inflação no Brasil. Especialistas apontam que a defasagem entre o preço da gasolina doméstica e a paridade internacional aumentou significativamente. Um ajuste de 10% na gasolina nas refinarias, por exemplo, poderia ter um impacto direto de cerca de 30 pontos-base no IPCA, com um efeito total próximo de 50 pontos-base, considerando os impactos secundários.

Instituições financeiras como o Goldman Sachs revisaram suas projeções de inflação para 2026 de 4,1% para 4,4%, e passaram a esperar um corte inicial de apenas 25 pontos-base na Selic, e não mais 50. Essa postura reflete a percepção de que, apesar dos juros reais estarem em patamar restritivo no Brasil, o Copom deve adotar um ciclo de normalização mais gradual.

A expectativa agora se volta para a decisão de quarta-feira, que trará clareza sobre os próximos passos da política monetária no país. Acompanhe o Altos News para todas as atualizações e desdobramentos sobre este e outros temas que impactam a economia local e nacional.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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