A pré-candidata à Presidência da República pelo partido Unidade Popular (UP), Samara Martins, esteve em Teresina nesta sexta-feira (12). Durante uma entrevista, ela abordou temas como a participação feminina na política, a jornada de trabalho 6×1 e a proposta de dobrar o salário mínimo.
Mulheres na política: uma luta necessária
Samara, única mulher entre os pré-candidatos à Presidência, enfatizou a escassa presença feminina no cenário político. Ela destacou que a realidade das mulheres é marcada por uma dupla jornada, onde muitas acumulam responsabilidades profissionais e domésticas.
“Infelizmente, mesmo diante de um cenário pesado para as mulheres, com feminicídio e aumento da violência, a participação feminina na política ainda é muito pequena. Isso ocorre porque esse espaço ainda é visto como não sendo feito para mulheres”, afirmou.
Legislação e direitos trabalhistas
A pré-candidata também defendeu a necessidade de uma maior representação feminina no Legislativo, argumentando que a vivência das mulheres pode contribuir para a criação de leis mais eficazes e voltadas às suas necessidades. Samara comentou sobre o Projeto de Lei que trata da jornada de trabalho 6×1, que deve ser votado no Senado, ressaltando que a proposta pode beneficiar principalmente as mulheres.
“É uma luta fundamental. Não será resolvida com acordos de gabinete, nem esperando decisões do Senado, que historicamente não trouxe melhorias para o nosso povo. É preciso organização e mobilização”, disse.
Aumento do salário mínimo: uma proposta audaciosa
Outro ponto central da fala de Samara foi a defesa do aumento de 100% do salário mínimo. Atualmente em R$ 1.621, o valor passaria para R$ 3.242 com o reajuste. A pré-candidata citou um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), que aponta que o salário mínimo ideal para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser superior a R$ 7 mil.
“Não adianta reduzir a jornada sem garantir renda. Caso contrário, as pessoas vão precisar buscar outros trabalhos no tempo que deveria ser de descanso. O que o trabalhador precisa é de renda, não de crédito, já que muitos já estão endividados”, argumentou.
Desigualdade salarial no Brasil
Samara também destacou que, apesar de o Brasil ser um dos países mais ricos do mundo, possui um dos menores salários mínimos da América Latina. Para ela, o trabalhador brasileiro está entre os mais explorados do continente.
“É possível fazer esse aumento. Em 1954, o Brasil já teve um reajuste de 100% no salário mínimo”, concluiu.