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Rastreamento do câncer de próstata: orientações essenciais para homens

Saiba quando e como realizar o rastreamento do câncer de próstata de forma eficaz e segura.
Rastreamento do câncer de próstata: orientações essenciais para homens

O câncer de próstata é o tipo mais comum entre os homens no Brasil, excluindo os casos de câncer de pele não melanoma, e representa uma das principais causas de mortalidade por câncer masculino. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados mais de 70 mil novos casos por ano no país, evidenciando a necessidade de estratégias eficazes para o diagnóstico precoce.

Mas, afinal, quem deve realizar o rastreamento? Quando iniciar? E qual a melhor abordagem?

Diretrizes atuais sobre rastreamento

As recomendações mais recentes da American Urological Association (AUA), atualizadas em 2026, enfatizam que o rastreamento deve ser individualizado e baseado em uma decisão compartilhada entre médico e paciente. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) adota uma posição semelhante, mas com uma abordagem mais proativa, dada a realidade brasileira, onde muitos diagnósticos ainda ocorrem em fases avançadas.

É essencial que cada paciente compreenda os benefícios, riscos e limitações antes de iniciar o acompanhamento.

O exame de PSA como principal ferramenta

O exame de sangue PSA (antígeno prostático específico) é o principal método de rastreamento. Deve ser o primeiro teste a ser realizado quando há suspeita de problemas na próstata. Contudo, um resultado alterado no PSA não indica necessariamente câncer. A avaliação deve incluir o exame de toque retal, a idade do paciente, histórico familiar e outros fatores de risco.

Idade recomendada para início do rastreamento

As diretrizes sugerem que o rastreamento com um exame de PSA basal deve começar entre 45 e 50 anos. Para homens com maior risco (história familiar, fatores genéticos ou pertencentes à população negra), o início deve ser antecipado para 40 a 45 anos. O grupo etário que mais se beneficia do rastreamento é aquele entre 50 e 69 anos, com exames realizados a cada 1 a 3 anos.

Importância do toque retal

O toque retal continua sendo relevante, atuando como um complemento ao exame de sangue (PSA). Este exame físico pode auxiliar na avaliação de risco, especialmente quando combinado com o PSA, já que cerca de 15% dos tumores de próstata não alteram os níveis de PSA.

Avanços na ressonância magnética da próstata

A ressonância magnética multiparamétrica é um dos maiores avanços recentes na detecção do câncer de próstata. Este exame é cada vez mais utilizado antes da biópsia para identificar lesões suspeitas e direcionar a coleta de amostras de forma mais precisa. As diretrizes atuais indicam que a ressonância pode aumentar significativamente a detecção de tumores clinicamente relevantes e reduzir em até 50% as biópsias desnecessárias, promovendo uma abordagem mais personalizada e segura para o paciente.

Desafios do rastreamento no Brasil

O rastreamento enfrenta dois desafios principais:

  • Excesso de diagnóstico: identificação de tumores indolentes que não causariam problemas.
  • Diagnóstico tardio: ainda comum no Brasil, onde muitos pacientes são diagnosticados em estágios avançados.

A diretriz atual enfatiza que o objetivo não é detectar qualquer câncer, mas sim identificar tumores clinicamente significativos que impactam a vida do paciente.

Realidade do acesso à saúde no Brasil

Apesar das recomendações avançadas, muitos homens ainda não realizam acompanhamento regular. A adesão a consultas preventivas é baixa, com dados do Sistema Único de Saúde mostrando que o número de consultas ao urologista é significativamente inferior ao de consultas ginecológicas. Isso resulta em uma parcela considerável de casos de câncer de próstata sendo diagnosticados em estágios avançados.

Campanhas como o Novembro Azul ajudam, mas o maior desafio continua sendo motivar os homens a procurarem atendimento antes do surgimento de sintomas.

Conclusão: um rastreamento mais inteligente

Atualmente, o rastreamento do câncer de próstata é individualizado e baseado em risco, apoiado por ferramentas como a ressonância magnética multiparamétrica e calculadoras de risco. Essa abordagem permite evitar biópsias desnecessárias e reduzir complicações.

O rastreamento não é mais uma prática “tamanho único”. Deve ser realizado com estratégia, ciência e, principalmente, diálogo. O fundamental é realizar os exames de forma correta, no momento certo e para o paciente certo.

Dr. Giuliano Aita, membro do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia

Fonte: portalclubenews.com

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