A recente aquisição da marca Pelé pela NR Sports, empresa ligada a Neymar e sua família, reacendeu um debate crucial no mundo do esporte e do marketing: como quantificar o valor de um ícone cultural como o Rei do Futebol?
A transação, estimada em cerca de US$ 18 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 95 milhões, engloba os direitos sobre o nome, imagem, acervo histórico e exploração comercial associados ao ídolo. Anteriormente, a gestão da marca era conduzida pela agência norte-americana Sport 10, mas a família de Pelé considerava que sua presença havia diminuído desde seu falecimento em 2022.
A expectativa é que a mudança impulsione a presença da marca no ambiente digital, com a criação de novas plataformas e modelos de licenciamento em escala global. A ligação com Neymar também é um fator importante, dado que alguns produtos do jogador utilizam o termo “Príncipe”, uma referência ao legado de Pelé no Santos e no futebol mundial.
O alcance digital de Pelé demonstra o potencial desse mercado. Seu perfil no Instagram possui 17,7 milhões de seguidores, com um crescimento constante de aproximadamente 130 mil novos fãs a cada mês.
Para especialistas em gestão e marketing esportivo, a marca Pelé possui características singulares. Ela representa um ativo raro, combinando legado histórico, reconhecimento mundial e um potencial contínuo de ativação. O desafio é transformar esse patrimônio em novas experiências, conteúdos e produtos que mantenham a memória de Pelé viva, preservando sua autenticidade e gerando valor para as próximas gerações.
Analistas de mercado consideram a operação estratégica para o universo de Neymar, permitindo que as marcas se complementem, criando uma percepção de igualdade entre os públicos. O potencial financeiro reside na união dos ativos, combinando a força comercial de Neymar com a autoridade institucional de Pelé, consolidando o mercado de licenciamento e projetos digitais e garantindo longevidade e novas receitas.
Contudo, há alertas sobre os riscos de exploração excessiva. É fundamental que a marca Pelé inspire transcendência. O verdadeiro potencial reside na capacidade de entender os riscos, excessos e potencialidades, mantendo o cuidado e a estratégia em relação a um ativo de tamanha magnitude. A prioridade deve ser criar bases para algo realmente “Eterno”, tanto como negócio quanto como legado cultural. É necessário equilibrar o apelo popular com o cuidado de uma marca de arte, de alto nível, reconhecendo que Pelé é um ícone comparável aos grandes artistas, mas com a singularidade de ser brasileiro e ter tornado sua arte acessível a todos.
O valor financeiro é apenas uma faceta do debate. A marca Pelé é um patrimônio cultural global, e o desafio é transformar esse legado em experiências, conteúdos e produtos que o mantenham vivo para as novas gerações. A entrada da NR Sports pode modernizar a narrativa, conectando a história do Rei com a do Príncipe, reposicionando Pelé no cenário mundial e abrindo um ciclo de ativações de grande valor.
A análise financeira considera que o valor da marca Pelé é o valor presente dos fluxos futuros de receita que ela pode gerar, por meio de licenciamento, conteúdo, experiências e produtos. O interesse da NR Sports indica que ainda há um espaço global a ser explorado. Pelé continua sendo uma das poucas figuras do esporte com relevância intergeracional, comprovada pelo engajamento digital consistente mesmo após seu falecimento.
O debate sobre a venda demonstra que mensurar o valor da marca Pelé vai além do cálculo de cifras, abrangendo o alcance cultural e emocional que ele representa. A possível negociação pode inaugurar um novo capítulo na gestão do maior ícone da história do futebol, com oportunidades significativas, mas também com a responsabilidade de preservar um legado vivo, influente e universal.
Fonte: www.infomoney.com.br