A corrida eleitoral movimenta não apenas o cenário político, mas também o bolso do investidor. Com a proximidade do pleito, que define os rumos do país, a pauta econômica ganha destaque, gerando incertezas sobre juros, dólar e Bolsa. Como investir em ano eleitoral, protegendo o capital da volatilidade e buscando oportunidades em meio às sinalizações dos candidatos? Essa é a pergunta que paira entre os brasileiros.
Um estudo da XP já sinalizava que, em 2026, o Brasil pode ver uma queda na inflação e na taxa básica de juros, em um cenário internacional de dólar em desvalorização. Esse panorama tende a afetar o câmbio, a curva de juros e o fluxo de capital estrangeiro, com as incertezas elevando os prêmios de risco. Para Priscilla Cacavallo, gerente da Daycoval Investe, o ano eleitoral adiciona uma camada de imprevisibilidade ao mercado, além das variáveis econômicas tradicionais. “Não devemos enxergar esse período como um risco extremo, mas como um ciclo que exige estratégia e clareza sobre o papel de cada classe de ativo. Investir bem em ano eleitoral passa, necessariamente, por método”, afirma a especialista. Ela sugere que o investidor comece pelo básico: conhecer seu perfil e sua necessidade de liquidez.
Fatores Históricos de Volatilidade
A XP aponta que, historicamente, quatro vetores principais contribuem para a volatilidade em anos de eleição. Choques globais, como a crise da dívida europeia em 2010 ou a guerra Rússia-Ucrânia em 2022, são um deles. Ruídos locais com impacto macroeconômico, a exemplo da greve dos caminhoneiros em 2018 ou das discussões fiscais em 2022, também influenciam. Além disso, mudanças abruptas no cenário eleitoral, como a entrada inesperada de candidaturas competitivas – caso de Marina Silva em 2014 e, em menor escala, Fernando Haddad em 2018 –, e discrepâncias entre pesquisas e resultados efetivos das urnas, tendo 2014 como um exemplo marcante, são fatores cruciais.
Estratégias para Navegar nas Oscilações
Diante desse cenário, a disciplina se torna essencial. O mercado reage mais intensamente às manchetes e menos a ambiguidades. As decisões de investimento devem focar na gestão das oscilações, e não na tentativa de prever o resultado das urnas, o que garante maior consistência ao investidor. O câmbio, por exemplo, é o primeiro ativo que costuma reagir às incertezas políticas. Dúvidas sobre o compromisso fiscal pressionam o dólar, enquanto sinais de responsabilidade geram alívio. Para se proteger, Cacavallo sugere a diversificação internacional, seja com ativos no exterior, fundos cambiais acessíveis por R$ 100,00 no Brasil, BDRs ou ETFs como o DOLA11. “O câmbio deve ser tratado mais como instrumento de proteção e diversificação do que como aposta direcional”, aconselha.
A curva de juros, por sua vez, reflete as expectativas do mercado sobre inflação, crescimento e trajetória fiscal. Quando há maior probabilidade de inflação à frente, essa curva tende a “abrir”, sinalizando taxas de juros mais altas.
Manter a calma e a estratégia em períodos eleitorais é vital para a saúde financeira. Acompanhe os próximos desdobramentos da economia e da política em Altos News.
Fonte: https://www.infomoney.com.br