A comunidade quilombola Brejão dos Aipins, na zona rural de Redenção do Gurguéia, no Sul do Piauí, encontra-se isolada há mais de 10 dias após a destruição da única ponte de acesso à cidade. As fortes chuvas que castigam a região levaram a estrutura improvisada, forçando moradores a se arriscarem em trechos alagados para buscar mantimentos essenciais.
Imagens capturadas por residentes mostram a difícil travessia, com a água na altura da cintura. Uma moradora, que preferiu não ser identificada, relatou que a ponte, feita de tábuas, já apresentava fragilidades antes das precipitações. “Essas tábuas estavam servindo como ponte para o ônibus escolar e para os demais moradores passarem. Era uma ponte, segundo eles, provisória. Depois que choveu, a água carregou as tábuas e aí ficou intrafegável”, descreveu.
Impacto na educação e resposta municipal
O isolamento tem afetado diretamente a educação local. Muitas crianças da Escola Rural Filomena Nunes não conseguiram frequentar as aulas desde o início do período letivo, em 23 de fevereiro, pois o ônibus escolar já não conseguia passar. Com a situação agravada, a Prefeitura de Redenção do Gurguéia suspendeu oficialmente as aulas da rede municipal na quinta-feira (5) e sexta-feira (6) por decreto, e não descarta a publicação de um novo decreto na segunda-feira (9), caso as chuvas persistam.
A gestão municipal informou que diversas áreas quilombolas da cidade estão isoladas, sendo o Brejão dos Aipins uma das mais atingidas. A Prefeitura, em conjunto com a Defesa Civil Municipal, está realizando o mapeamento dos danos e buscando apoio do Governo do Piauí para a distribuição de cestas básicas às famílias afetadas.
Everaldo Carvalho, chefe de gabinete da Prefeitura, destacou os prejuízos na agricultura familiar. “A cidade foi muito afetada, principalmente as localidades quilombolas. Em alguns trechos da cidade até lá parece uma única lagoa. Muita água. Estamos fazendo o possível para amparar esses moradores que estão ilhados”, afirmou. Ele ressaltou que a recuperação de estradas e pontes só será possível após a diminuição do volume de água.
A situação na comunidade quilombola Brejão dos Aipins permanece crítica, exigindo atenção e soluções urgentes para restabelecer o acesso e a normalidade para seus habitantes.
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Fonte: https://g1.globo.com