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Política tarifária de Trump: Mais ameaças que imposições geram incerteza global

A política comercial do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem sido marcada por uma estratégia incomum: a imposição de mais tarifas do que qualquer líder americano em um século, mas, notavelmente, apenas uma fração daquelas que foram publicamente ameaçadas. A recente retirada, nesta semana, de uma proposta de tarifa contra países europeus, relacionada à […]

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concede uma coletiva de imprensa na Casa Branca ao...

A política comercial do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem sido marcada por uma estratégia incomum: a imposição de mais tarifas do que qualquer líder americano em um século, mas, notavelmente, apenas uma fração daquelas que foram publicamente ameaçadas. A recente retirada, nesta semana, de uma proposta de tarifa contra países europeus, relacionada à questão da Groenlândia, ilustra perfeitamente essa dinâmica. Essa abordagem levanta questões sobre a eficácia de usar a ameaça tarifária como principal ferramenta de negociação internacional.

Trump frequentemente argumenta que sua disposição em usar tarifas força concessões comerciais e ajuda a resolver conflitos. No entanto, a crescente lista de ameaças não concretizadas sugere que parceiros comerciais podem estar se adaptando a essa tática. “Há claramente um problema de credibilidade que o governo tem com qualquer um com quem esteja negociando”, observa Tim Meyer, professor da Escola de Direito da Universidade Duke, especializado em comércio internacional. “Outros países já leram o manual. Você deixa ele anunciar um acordo e espera que o assunto desapareça.”

O caso da Groenlândia é um exemplo claro. Trump prometeu impor tarifas sobre produtos de nações europeias que se opuseram à sua intenção sobre o território autônomo dinamarquês. Ele afirmou que as tarifas começariam em 10% em 1º de fevereiro e subiriam para 25% em junho, a menos que um acordo de “compra Completa e Total da Groenlândia” fosse alcançado. Essa postura causou irritação entre aliados da União Europeia, que haviam negociado um acordo comercial com Washington no ano passado e ameaçaram suspender sua aprovação.

Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, contrapôs, afirmando que a UE falhou em implementar seus compromissos. Ele destacou que, enquanto os EUA conseguiam compartimentar assuntos, a UE não deveria usar questões não relacionadas como desculpa para descumprir acordos. Líderes europeus expressaram seu descontentamento e receberam Trump friamente quando ele discursou na quarta-feira no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Logo depois, Trump anunciou um acordo que reduziu as tensões, embora os detalhes não estivessem claros. Na quinta-feira, o presidente prometeu revelar mais sobre o arcabouço.

Além da Groenlândia, Trump não aplicou tarifas amplas prometidas a países como México e Canadá, nem sobre produtos específicos como semicondutores e filmes estrangeiros. As chamadas “tarifas secundárias” para países que negociam com adversários dos EUA, como o Irã, também não se materializaram. Mesmo em confrontos diretos, como com a China, Trump recuou após Pequim ameaçar retaliar, especialmente sobre exportações de terras raras.

A reação nos mercados financeiros frequentemente espelha essa incerteza. Ações e títulos do Tesouro dos EUA despencaram no começo desta semana com a escalada do confronto sobre a Groenlândia, recuperando-se com o anúncio do acordo. Este padrão ecoa as tarifas “recíprocas” originais, lançadas por Trump em abril, que foram rapidamente pausadas devido à turbulência nos mercados. Esse padrão de recuo, que investidores passaram a incorporar em suas projeções, ganhou o apelido de “TACO trade” — uma sigla em inglês para “Trump Always Chickens Out” (Trump sempre arrega). Questionada, a Casa Branca apontou para operações militares como prova da determinação do presidente.

A estratégia de Trump, de ameaçar pesadas tarifas para obter concessões e depois recuar, gera um cenário de volatilidade e incerteza no comércio global. A comunidade internacional, ao que parece, está aprendendo a lidar com essa dinâmica, impactando a credibilidade de futuras ameaças e mantendo os mercados em alerta.

Mantenha-se informado sobre os desdobramentos da política comercial global acompanhando as atualizações do Altos News.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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