A Polícia Federal (PF) deu continuidade, nesta quinta-feira, 7, à Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o empresário Daniel Vorcaro. As ações ocorreram em São Paulo, Minas Gerais, Piauí e no Distrito Federal, com mandados de busca e apreensão, além de uma prisão temporária.
política: cenário e impactos
Mandados e restrições
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a operação e impôs restrições ao senador, proibindo-o de manter contato com outros investigados ou testemunhas. A PF, em relatório enviado à Suprema Corte, alega que Nogueira teria recebido “vantagens indevidas” de Vorcaro.
Emenda e pagamentos suspeitos
O relatório sugere que o senador apresentou uma emenda para aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, com a participação de integrantes do Banco Master. As investigações indicam a existência de pagamentos mensais, aquisição de participação societária com desconto significativo, custeio de despesas pessoais e uso de bens de alto valor, além de repasses em dinheiro vivo.
Defesa de Ciro Nogueira
A defesa do senador repudiou as medidas, afirmando que ele “não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados”. Os advogados se colocaram à disposição para esclarecimentos.
Histórico da Operação Compliance Zero
Desde novembro de 2025, a Operação Compliance Zero investiga fraudes no Banco Master, visando combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições do Sistema Financeiro Nacional. A prisão de Daniel Vorcaro foi realizada para evitar sua fuga, e foram bloqueados R$ 12,2 bilhões em contas, além da apreensão de carros de luxo, obras de arte e relógios.
As apurações tiveram início em 2024, a partir de solicitações do Ministério Público Federal, após indícios de fabricação e venda de carteiras de crédito sem lastro real. Essas carteiras teriam sido substituídas por ativos inadequadamente avaliados após intervenção do Banco Central.
Em 2026, a operação resultou na prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, acusado de receber R$ 140 milhões em propina de Vorcaro para facilitar a compra do Banco Master. Ele também teria pressionado acionistas a adquirirem ações com recursos do próprio banco.