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Pai que arremessou filho de ponte no RS é condenado a 83 anos de prisão

Tiago Ricardo Felber é condenado a 83 anos de prisão pelo assassinato do filho Théo, em São Gabriel, RS.
Pai que arremessou filho de ponte no RS é condenado a 83 anos de prisão

O Tribunal do Júri de São Gabriel, no Rio Grande do Sul, condenou Tiago Ricardo Felber a 83 anos e quatro meses de prisão pela morte do filho, Théo Ricardo Ferreira Felber, de cinco anos. A sentença foi proferida na noite de quarta-feira (4), após um julgamento que durou cerca de 13 horas.

O crime ocorreu em 25 de março de 2025, quando Tiago arremessou Théo, ainda vivo, de uma ponte sobre o Rio Vacacaí, com aproximadamente 15 metros de altura. A criança sofreu traumatismo cranioencefálico em decorrência da queda, levando à sua morte.

Motivação e antecedentes do crime

Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), o assassinato foi motivado por vingança contra a ex-companheira de Tiago, mãe de Théo, que havia iniciado um novo relacionamento após a separação. O réu foi considerado culpado por homicídio qualificado consumado, tentativa de homicídio qualificado e ameaça contra a mãe da criança.

A Justiça também determinou que Tiago pagasse uma indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares da vítima e que o cumprimento da pena se iniciasse imediatamente. Tiago já estava preso desde março de 2025, quando confessou o crime à polícia.

Investigação e detalhes do crime

As investigações revelaram que Tiago havia tentado matar Théo por sufocamento um dia antes do arremesso. A criança sobreviveu à primeira agressão e, no dia seguinte, foi levada pelo pai de bicicleta até a ponte, onde o crime foi consumado. Imagens de câmeras de segurança mostraram Tiago circulando com o filho momentos antes do ato violento.

Na época, Théo morava com a mãe, mas estava passando alguns dias com o pai. O casal havia se separado em novembro de 2024, e a mãe já havia registrado queixas policiais contra Tiago após uma discussão em que ele quebrou objetos pessoais dela.

Repercussão e novas legislações

Após o assassinato, Tiago enviou uma mensagem de áudio à mãe de Théo, que foi divulgada durante a investigação. Na gravação, ele disse: “Viu, guria, seje forte. Fiz uma loucurinha agora, tá?”. O caso gerou grande repercussão nacional e contribuiu para o debate sobre a violência vicária, que envolve o uso da violência contra filhos ou pessoas próximas para causar sofrimento psicológico a mulheres.

Em abril de 2026, foi sancionada uma lei que tipificou o crime de vicaricídio no Brasil, reconhecendo situações em que uma pessoa mata alguém próximo de uma mulher com o objetivo de causar sofrimento a ela. Embora o caso de Théo tenha sido um dos episódios que impulsionaram essa discussão, a nova legislação não foi aplicada retroativamente para fundamentar a condenação de Tiago, já que o crime ocorreu antes de sua entrada em vigor.

Comentários das autoridades

A promotora de Justiça Maria Fernanda Rabelo Ramalho comentou sobre a decisão, afirmando que a condenação representa uma resposta firme da Justiça diante da gravidade da violência praticada contra uma criança. A promotora Graziela Lorenzoni também destacou a importância do caso no debate sobre a violência contra crianças como forma de atingir suas mães.

Fonte: noticiasaominuto.com.br

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