PUBLICIDADE

Novas regras de saúde mental no trabalho entram em vigor e trazem mudanças significativas

Novas regras de saúde mental no trabalho entram em vigor, exigindo que empresas identifiquem riscos e promovam bem-estar.
Novas regras de saúde mental no trabalho entram em vigor e trazem mudanças significativas

As novas diretrizes da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), que exigem que as empresas identifiquem e reduzam os riscos à saúde mental dos trabalhadores, começaram a valer nesta terça-feira (26). Apesar da implementação, a aplicação de multas foi adiada por 90 dias, e a fiscalização inicial terá caráter apenas orientativo.

Exigências e Riscos Psicossociais

A atualização da norma, promovida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), amplia as exigências sobre saúde e segurança no ambiente de trabalho, obrigando as empresas a incluírem os riscos psicossociais na gestão interna. Fatores como:

  • Metas abusivas
  • Jornadas excessivas
  • Assédio moral e sexual
  • Pressão excessiva
  • Problemas nas relações interpessoais

devem ser avaliados para garantir o bem-estar dos funcionários. A norma também incentiva a autonomia dos trabalhadores e o treinamento de gestores para prevenir adoecimentos mentais.

Crescimento dos Afastamentos por Transtornos Psicológicos

O Brasil enfrenta um aumento expressivo nos afastamentos por transtornos psicológicos. Dados da Anamt, com informações do INSS, revelam que os afastamentos superiores a 15 dias por problemas mentais saltaram de 219,8 mil em 2023 para 393,6 mil até novembro de 2025, uma alta de 79%. Os gastos públicos com esses afastamentos ultrapassaram R$ 954 milhões no último ano.

Os casos de burnout também aumentaram consideravelmente, quase quadruplicando, passando de 1.760 para 6.985 registros. A ansiedade é o transtorno mais frequente, representando cerca de 40% das licenças relacionadas à saúde mental.

Desafios para Micro e Pequenas Empresas

Embora a nova norma busque promover o bem-estar dos trabalhadores, entidades do comércio, como a FecomercioSP, afirmam que micro e pequenas empresas ainda não têm estrutura suficiente para se adequar às novas exigências. A federação solicitou oficialmente ao Ministério do Trabalho o adiamento da norma por um ano, citando a falta de critérios objetivos sobre o que caracteriza um “risco psicossocial” como uma das principais dificuldades.

Eduardo Pastore, assessor jurídico da entidade, destaca que conceitos subjetivos podem gerar insegurança jurídica e interpretações variadas durante as fiscalizações. A FecomercioSP também critica o curto prazo para adaptação, já que o manual técnico do governo foi divulgado apenas em março.

Iniciativas de Grandes Corporações

Enquanto pequenos empresários expressam preocupações, grandes corporações afirmam que já adotam políticas relacionadas à saúde mental há anos. A Febraban informou que os bancos realizam monitoramento de riscos psicossociais e consideram que a nova norma apenas formaliza procedimentos já existentes. Instituições como Itaú, Banco do Brasil e Bradesco possuem canais de denúncia, apoio psicológico e treinamento de gestores.

A Natura, por sua vez, monitora indicadores de estresse desde 2019 e oferece programas de apoio emocional e terapia online para seus funcionários. O Grupo Casas Bahia também destacou ter realizado milhares de atendimentos em telemedicina e telepsicologia no último ano.

Impacto na Produtividade e Gestão de Pessoas

Especialistas afirmam que a nova NR-1 representa uma mudança estrutural na gestão de pessoas nas empresas. Gregório Andrade, especialista em direito do trabalho da Sama Care, ressalta que a saúde mental deixa de ser uma iniciativa isolada de RH e passa a integrar formalmente a gestão de riscos corporativos.

Pesquisas indicam que os afastamentos por saúde mental impactam diretamente a produtividade. Um estudo da consultoria Mercer Marsh revelou que as licenças relacionadas ao tema tendem a ocorrer principalmente às terças e quartas-feiras, sugerindo um desgaste acumulado no ambiente profissional. Atualmente, problemas de saúde mental são a terceira maior causa de afastamento do trabalho no Brasil, atrás apenas de dores musculares e doenças ósseas.

As novas diretrizes prometem transformar a abordagem das empresas em relação à saúde mental, refletindo uma crescente preocupação com o bem-estar dos trabalhadores.

Fonte: noticiasaominuto.com.br

Leia mais

PUBLICIDADE