A aposentada espanhola María del Carmen Abascal Martín, conhecida como Maricarmen, faleceu aos 87 anos no hospital Gregório Marañón, em Madri. Sua morte ocorre após uma intensa batalha judicial e social contra o despejo de seu apartamento, onde viveu por sete décadas. O caso gerou protestos em todo o país e provocou uma onda de mobilizações populares.
Maricarmen se tornou um símbolo da luta por moradia na Espanha, especialmente após ser despejada em 23 de setembro de 2023. O despejo, que foi impedido por manifestações populares, culminou em sua internação hospitalar. O Sindicato das Inquilinas e Inquilinos de Madri lamentou sua morte, destacando seu legado de luta e a necessidade de continuar a batalha por direitos habitacionais.
Despejo e mobilização popular
A saga de Maricarmen começou quando o aluguel de seu apartamento, herdado de seu pai, subiu de € 500 para € 2.650, um valor que sua aposentadoria de € 1.400 não conseguia cobrir. Após várias tentativas de despejo, sua história ganhou notoriedade, culminando em uma mobilização popular que impediu sua remoção em outubro de 2022.
O caso chamou a atenção da ONU, que emitiu um comunicado pedindo alternativas de moradia para a aposentada. No entanto, o despejo se concretizou em setembro, levando a protestos massivos na Puerta del Sol, em Madri, onde manifestantes ergueram mais de 1.200 tendas em apoio a Maricarmen.
Impacto político e social
A situação de Maricarmen não apenas mobilizou a sociedade civil, mas também teve repercussões políticas significativas. O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez foi pressionado a criar decretos que congelavam aluguéis e dificultavam despejos, conhecidos como “decretos Maricarmen”. Contudo, esses decretos foram posteriormente derrubados no Parlamento, levando à convocação de novas eleições para 29 de novembro de 2023.
Legado e luta contínua
Nos últimos dias de vida, Maricarmen recebeu a notícia de um acordo com o proprietário de seu apartamento, que lhe garantiria um novo contrato de aluguel próximo ao valor original. Apesar disso, seu desejo de voltar para casa não se concretizou. O Sindicato das Inquilinas e Inquilinos de Madri reafirmou o compromisso de continuar a luta por direitos habitacionais, inspirados pelo exemplo de Maricarmen.
O caso de Maricarmen Abascal é um reflexo da crise habitacional que afeta a Espanha, onde os preços de aluguel aumentaram 87% na última década. Sua história ressoou em um contexto europeu, onde muitos jovens enfrentam dificuldades para sair da casa dos pais devido aos altos custos de moradia.
A luta por justiça habitacional continua, e o legado de Maricarmen Abascal será lembrado como um marco na defesa dos direitos dos inquilinos na Espanha.
Fonte: noticiasaominuto.com.br