O monumento que abriga a estátua de Iemanjá, localizado na Avenida Marechal Castelo Branco, bairro Cabral, em Teresina, foi alvo de um ato de vandalismo neste domingo (1º). A ação criminosa ocorreu a apenas um dia das celebrações em homenagem à orixá, festividade sagrada para seguidores de religiões de matriz africana, tradicionalmente realizada no dia 2 de fevereiro. Durante o ataque, a estrutura de vidro que protege a imagem foi destruída e parte da mão da estátua foi quebrada.
O caso é investigado pela Polícia Civil, mas, até o momento da última atualização desta reportagem, nenhum suspeito foi identificado ou preso. O babalorixá Rondinele Santos de Oxum, representante da Articulação Nacional de Povos de Matriz Africana e Ameríndia (ANPMA), classificou o episódio como um claro ato de intolerância religiosa. Para ele, a gravidade do vandalismo em Teresina é ampliada pela proximidade com a data sagrada para as comunidades tradicionais.
“O que torna esse ataque ainda mais grave é o fato de ocorrer faltando apenas um dia para o Dia de Iemanjá. Não se trata de vandalismo comum, mas de uma violência simbólica, religiosa e cultural, que atinge diretamente nossa fé, nossa história e nossa dignidade”, destacou o representante da ANPMA, reforçando a profundidade do impacto do ataque.
Ataques recorrentes e apelo por segurança
Esta não é a primeira vez que o monumento de Iemanjá sofre com atos de agressão. Desde sua inauguração, em 14 de abril, a imagem tem sido alvo de violência e manifestações de intolerância, incluindo o recebimento de mensagens de ódio e ameaças de destruição nas redes sociais, com um registro notório em 08 de junho de 2024. A ANPMA aponta que o Piauí é o quarto estado do Brasil que mais violenta comunidades tradicionais de matriz africana, e cobra do Governo do Estado e da Segurança Pública ações efetivas para coibir e responsabilizar os autores desses crimes.
Há mais de dois anos, a Articulação Nacional de Povos de Matriz Africana e Ameríndia solicita a instalação de câmeras de monitoramento na região do monumento. O local já é monitorado por câmeras do sistema Spia, da Secretaria de Segurança Pública do Piauí, e a expectativa é que essas imagens sejam utilizadas para identificar e punir os responsáveis. A comunidade exige investigação imediata, responsabilização criminal, proteção efetiva dos monumentos religiosos e a implementação de políticas públicas concretas de combate à intolerância religiosa, reiterando que “Nossa fé não é crime. Nossa cultura não é alvo. Nossa existência exige respeito.”
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Fonte: https://portalclubenews.com