O litoral do Piauí, um santuário natural e berçário crucial para diversas espécies de tartarugas marinhas, intensificou seu monitoramento ambiental durante o movimentado período de Carnaval. Com a afluência de turistas às praias, o Instituto Tartarugas do Delta, em uma ação conjunta com voluntários, reforçou a vigilância e a conscientização sobre a importância de proteger os pontos de desova desses animais. A medida visa garantir a segurança e a continuidade do ciclo reprodutivo em um momento de grande movimentação.
A atenção redobrada se justifica pela fragilidade dos ninhos e pela necessidade de evitar que visitantes desavisados ocupem ou danifiquem as áreas de reprodução. Por isso, as praias com atividade de desova são cuidadosamente sinalizadas. Os resultados desse esforço já são palpáveis: só em 2026, foram identificados 112 ninhos ao longo da costa piauiense, um número que sublinha a relevância da preservação e do cuidado constante. A bióloga Werlane Magalhães, responsável pela coordenação da iniciativa, enfatizou a importância do trabalho em equipe.
“A gente intensificou o monitoramento pela manhã e pela tarde para que a gente consiga esclarecer algumas informações e também pedir apoio da população e do Policiamento Ambiental, Semarh [Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos], ICMBio que estiveram na praia ajudando nesse processo de fiscalização”, detalhou Magalhães, evidenciando o comprometimento dos parceiros na fiscalização e na educação ambiental. A presença ostensiva nas áreas críticas é fundamental para dissuadir qualquer interferência.
A rica biodiversidade marinha do Piauí é notável, abrigando quatro das cinco espécies de tartarugas marinhas que frequentam a costa brasileira. Este dado confere ao litoral piauiense um papel estratégico na conservação dessas espécies globalmente ameaçadas. O sucesso das ações de monitoramento e proteção é traduzido em números que inspiram: o Instituto Delta estima que, apenas no ano passado, cerca de 26 mil filhotes de tartarugas marinhas vieram ao mundo no estado, um feito que depende diretamente da integridade dos seus locais de reprodução.
A bióloga Werlane Magalhães reforçou o apelo à responsabilidade coletiva. “É fundamental que as pessoas tenham esse respeito ambiental. Não são todas as praias que são visitadas por tartarugas marinhas. Então, é necessário que as pessoas compreendam a importância de proteger essas áreas de conservação”, analisou, destacando que o conhecimento e a cooperação dos moradores e turistas são cruciais para a manutenção desses habitats vitais, que são bens de toda a sociedade.
A proteção dos ninhos e o respeito às áreas de desova representam um compromisso contínuo com a vida selvagem. O futuro das tartarugas marinhas no Piauí depende da conscientização e do engajamento de cada um, garantindo que o ciclo da vida marinha prossiga em harmonia com o desenvolvimento local.
Fonte: https://portalclubenews.com