Uma tendência notável nos mercados financeiros aponta para a surpreendente estabilidade das moedas de países emergentes, que superam as de nações desenvolvidas. Índices de volatilidade do JPMorgan revelam que essas moedas oscilaram menos que as dos pares do G7 por quase 200 dias consecutivos, um período o mais longo desde 2008, podendo quebrar um recorde de 2000 caso ultrapasse 208 dias.
Essa calma incomum, em um grupo tradicionalmente visto como de maior risco, é impulsionada por fatores como um dólar mais fraco e expectativas de afrouxamento gradual da política monetária do Federal Reserve, que aliviaram a pressão. Além disso, os preços elevados de commodities e fluxos de capital robustos sustentam a demanda por ativos dessas economias, fortalecendo o apelo do carry trade. Jason Pang, gestor de portfólio da JPMorgan Asset Management, observa: “As moedas de mercados emergentes continuam sendo uma opção de carry trade, atraindo fluxos contínuos.”
Essa estratégia de busca de ganhos em cenários de baixa volatilidade tem impulsionado o investimento. Dados da Bloomberg mostram que investidores injetaram capital em mercados emergentes este ano no ritmo mais acelerado desde 2019, dando sequência ao avanço do ano passado, o maior desde 2009. Como resultado, um índice da Bloomberg com oito moedas de mercados em desenvolvimento subiu cerca de 2,8% até agora neste ano, após um salto de 17,5% no ano passado.
Fatores de Resiliência e Contrastes
Melhorias nos fundamentos dos mercados emergentes, crescimento mais forte em relação a economias desenvolvidas e amplas reservas cambiais também contribuem para a estabilidade, segundo Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado da Ebury Partners Ltd. Essa solidez contrasta com a turbulência das moedas desenvolvidas. A volatilidade do dólar aumentou no início deste ano após ameaças de tarifas de Donald Trump e incertezas do Fed. O iene japonês também viu sua volatilidade crescer devido a preocupações fiscais e possíveis intervenções, com o risco de um desmonte do carry trade sendo descrito como uma “bomba-relógio”.
Com as incertezas nos mercados desenvolvidos, Daniel Tan, gestor de portfólio da Grasshopper Asset Management, destaca: “Investidores estão de olho em moedas menos voláteis em mercados emergentes, como o dólar de Singapura, o baht e o yuan na Ásia. Essa tendência de baixa volatilidade pode continuar até que surja o próximo evento de risco extremo.”
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Fonte: https://www.infomoney.com.br