O banco central do México, conhecido como Banxico, implementou um corte de 0,25 ponto percentual em sua taxa básica de juros, estabelecendo-a em 7%. Essa decisão faz parte de uma série de flexibilizações monetárias contínuas que visam estimular o crescimento econômico do país, que tem mostrado sinais de desaceleração. A medida, amplamente antecipada por economistas, ocorre em um cenário complexo, onde a inflação geral e a inflação central persistem acima das metas estabelecidas pela autoridade monetária. Este é o décimo segundo corte consecutivo na taxa de juros, um movimento que gera debates e preocupações sobre a credibilidade da política monetária em lidar simultaneamente com a estagnação econômica e a persistência dos preços elevados.
A decisão do Banco Central e o ciclo de cortes
Redução da taxa e expectativas de mercado
Na quinta-feira, o Banxico anunciou a redução de 0,25 ponto percentual em sua taxa básica de juros, elevando-a para 7%. Essa decisão estava alinhada com as expectativas de mercado, sendo antecipada por todos os 27 economistas consultados por uma importante agência de notícias financeiras. Embora o consenso do mercado apontasse para o corte, a deliberação interna do banco central foi dividida, com um dos membros do comitê votando pela manutenção da taxa, refletindo as complexidades e os desafios inerentes ao atual ambiente macroeconômico mexicano. A redução visa injetar dinamismo na economia, barateando o custo do crédito e incentivando investimentos e consumo, em um momento crucial para a recuperação do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
O histórico de flexibilização monetária
Este último corte representa a décima segunda decisão consecutiva de redução da taxa de juros pelo Banxico. O ciclo de afrouxamento monetário teve início em março do ano passado, quando o banco central começou a reverter uma política mais restritiva, a partir de uma taxa que havia atingido o patamar de 11,25%. A estratégia tem sido consistente em seu objetivo de impulsionar a atividade econômica, mesmo diante de um cenário de inflação que continua a preocupar. A meta de inflação do Banxico é de 3%, com uma margem de um ponto percentual para cima ou para baixo. No entanto, a persistência dos indicadores inflacionários acima dessa meta tem levantado questionamentos sobre a eficácia da abordagem e os riscos de se manter em uma trajetória de cortes de juros.
Desafios inflacionários persistentes
Aceleração da inflação geral e núcleo
Apesar dos cortes nas taxas de juros, o México tem enfrentado uma aceleração dos preços. Em novembro, a inflação anual do país registrou 3,8%, superando a estimativa mediana de 3,70% dos economistas e os 3,57% observados em outubro. Mais preocupante ainda é a inflação central, que exclui os preços mais voláteis de alimentos e combustíveis. Esse indicador, considerado um termômetro mais preciso das pressões inflacionárias subjacentes, manteve-se persistentemente acima de 4%. Em novembro, a inflação central acelerou para 4,43%, em comparação com 4,28% em outubro. Esses números evidenciam a dificuldade do Banxico em conter o avanço dos preços, mesmo enquanto busca estimular o crescimento econômico por meio da política monetária.
Metas do Banxico e a realidade dos preços
A meta de inflação estabelecida pelo Banxico, de 3% com uma margem de um ponto percentual, parece cada vez mais distante diante dos dados recentes. Economistas, como Gabriela Siller, do Banco Base, chegaram a recomendar a manutenção da taxa de juros antes da decisão, argumentando que, “sem sinais claros de desaceleração da inflação e com riscos de alta, não é apropriado permanecer na faixa da taxa neutra”. Essa visão reflete uma crescente preocupação de que a política de cortes de juros possa estar comprometendo a capacidade do banco central de cumprir sua principal missão de estabilidade de preços. A expectativa do Banxico de que a inflação atinja a meta de 3% até o terceiro trimestre do próximo ano tem sido classificada como irrealista por alguns analistas, adicionando uma camada de ceticismo sobre a efetividade das projeções.
Impacto na economia e divergências de análises
Retração do PIB e incertezas externas
Os formuladores de política do Banxico têm repetidamente manifestado preocupações com a lentidão da economia mexicana. O Produto Interno Bruto (PIB) do México encolheu 0,2% entre julho e setembro em comparação com o mesmo período do ano anterior, após uma estagnação no segundo trimestre. Essa desaceleração é agravada pela incerteza em torno das tarifas intermitentes impostas pelos Estados Unidos sobre as exportações mexicanas, um fator que adiciona volatilidade ao ambiente de negócios. Em seu relatório trimestral de inflação, o Banxico reduziu pela metade sua estimativa de crescimento do PIB para este ano, para apenas 0,3% em seu cenário central. No entanto, a chefe do banco, Victoria Rodriguez Ceja, destacou que a autoridade monetária não prevê uma contração no quarto trimestre, apesar da leve retração anterior.
Preocupações de credibilidade e projeções futuras
A política monetária do Banxico tem sido alvo de críticas quanto à sua credibilidade em conter a inflação. Analistas, como Heath, apontam que o banco central enfrenta um desafio significativo para restaurar a confiança do mercado, especialmente com a inflação persistentemente acima da meta. As projeções para o futuro também divergem. Embora o Banxico ainda espere que a economia cresça 1,1% no próximo ano e 2% em 2027, as perspectivas de analistas externos mostram cautela. Na última pesquisa do Citi, por exemplo, economistas preveem um crescimento de 0,4% para a economia mexicana este ano, e elevaram sua previsão de inflação para o final de 2025, de 3,79% para 3,90%. Essas projeções contrastantes sublinham a complexidade do cenário econômico mexicano e a dificuldade em traçar um caminho claro para a recuperação e a estabilidade.
Conclusão
A decisão do Banxico de reduzir a taxa de juros reflete a prioridade em estimular o crescimento econômico, mas confronta-se com a realidade de uma inflação persistente. Este delicado equilíbrio entre impulsionar a atividade e conter os preços elevados continuará a ser o principal desafio para a política monetária mexicana nos próximos meses, exigindo vigilância constante e, possivelmente, ajustes estratégicos para garantir a estabilidade macroeconômica.
FAQ
Por que o Banxico está cortando juros apesar da inflação persistente?
O banco central do México, Banxico, tem priorizado o estímulo ao crescimento econômico, que tem mostrado sinais de desaceleração. A redução das taxas de juros visa baratear o crédito, incentivando investimentos e consumo, na esperança de reverter a retração do PIB, mesmo diante da preocupação com a inflação que se mantém acima da meta.
Qual é a meta de inflação do Banco Central do México?
A meta de inflação estabelecida pelo Banxico é de 3% ao ano, com uma margem de tolerância de um ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, entre 2% e 4%. No entanto, a inflação anual e a inflação central têm permanecido acima desse patamar nos últimos meses.
Como a economia mexicana está reagindo aos cortes de juros e às incertezas externas?
A economia mexicana tem mostrado sinais de desaceleração, com o PIB encolhendo 0,2% no terceiro trimestre do ano passado e estagnando no segundo. As incertezas em relação às tarifas dos EUA sobre as exportações mexicanas também afetam o cenário. O Banxico reduziu sua estimativa de crescimento do PIB para este ano, mas espera recuperação nos anos seguintes.
Para entender como essas decisões impactam o cenário financeiro e suas finanças, acompanhe as últimas análises econômicas e de mercado.
Fonte: https://www.infomoney.com.br