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Médico e pai limita acesso de filhos a redes sociais em 15 minutos diários

Um médico e pai de dois adolescentes emitiu um alerta sobre o uso de redes sociais e decidiu impor um limite rígido aos próprios filhos: apenas 15 minutos por dia. A medida, embasada em evidências científicas, visa proteger os cérebros em formação de uma geração que nunca conheceu o mundo sem a presença constante das […]

Uso de redes sociais e telas por crianças e adolescentes (Foto: g1)

Um médico e pai de dois adolescentes emitiu um alerta sobre o uso de redes sociais e decidiu impor um limite rígido aos próprios filhos: apenas 15 minutos por dia. A medida, embasada em evidências científicas, visa proteger os cérebros em formação de uma geração que nunca conheceu o mundo sem a presença constante das telas, destacando os riscos silenciosos e cumulativos da exposição ilimitada.

O cérebro adolescente e o apelo das redes

A adolescência é um período de intenso remodelamento cerebral, onde o córtex pré-frontal – essencial para planejamento e autocontrole – ainda está em maturação. Paralelamente, o sistema de recompensa, fortemente ligado à dopamina, encontra-se altamente sensível. Essa combinação cria uma vulnerabilidade, impulsionando a busca por estímulos e reduzindo a capacidade de freio inibitório. As redes sociais, com sua rolagem infinita, notificações imprevisíveis e conteúdos curtos, são projetadas para explorar precisamente esse circuito dopaminérgico.

Alertas científicos e impactos na saúde

Estudos de universidades como Harvard, Stanford e o Imperial College (Londres) associam o uso excessivo de redes sociais a um maior risco de ansiedade e depressão, redução da capacidade de concentração, distúrbios do sono, piora da autoestima (especialmente em meninas) e maior impulsividade. Em 2023, um importante colégio médico dos Estados Unidos formalizou um alerta sobre o impacto das redes sociais na saúde mental juvenil, ressaltando que a questão é de saúde pública.

O fenômeno "brain rot" e o sono

O termo informal “brain rot” descreve a deterioração da capacidade de atenção profunda e raciocínio contínuo, não um apodrecimento literal, mas uma adaptação neuroplástica. O cérebro se acostuma a estímulos rápidos, tornando tarefas que exigem foco prolongado desconfortáveis. Além disso, a luz azul das telas interfere na produção de melatonina, prejudicando o sono. A privação crônica de sono em adolescentes agrava a instabilidade emocional, piora o desempenho acadêmico e aumenta o risco de sintomas depressivos e impulsividade.

Buscando o equilíbrio e a proteção

Embora a socialização digital seja inegável, o foco não é a demonização ou o isolamento, mas o uso consciente e a imposição de limites claros. Pesquisas apontam que o problema reside no excesso, com uso acima de uma hora diária já associado a riscos para sintomas depressivos. Os 15 minutos diários visam proteger os jovens da imersão contínua no ciclo de recompensa rápida, permitindo que seus cérebros em formação desenvolvam outras capacidades.

Com a medida, a família reporta mais tempo para leitura, conversas presenciais, atividade física e um “tédio saudável” que estimula a criatividade, além da preservação crucial da capacidade de foco. A decisão, que incluiu a redução do tempo de tela dos próprios pais, reforça o papel regulador da família enquanto o cérebro dos filhos ainda está em formação.

A discussão é sobre saúde cerebral, não sobre certo ou errado, e o futuro de uma geração conectada.

Fonte: https://portalclubenews.com

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