O aclamado autor Manoel Carlos faleceu neste sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A família confirmou o falecimento do dramaturgo, que estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana. Embora a causa exata da morte não tenha sido divulgada, ele recebia tratamento para a doença de Parkinson, condição que afetou seu desenvolvimento motor e cognitivo no último ano.
Conhecido carinhosamente como Maneco, Manoel Carlos construiu uma carreira histórica na televisão brasileira. Sua trajetória na Globo começou em 1972 como diretor-geral do Fantástico. Suas obras, ambientadas no Rio de Janeiro, abordavam conflitos familiares profundos e cativaram milhões de telespectadores.
A principal assinatura de seu trabalho foram as famosas Helenas. Presentes em produções de Baila Comigo (1981) a Em Família (2014), essas protagonistas retratavam mães cujo amor pelos filhos superava qualquer desafio. Maneco também atuou como escritor, diretor, produtor e ator em sua longa jornada artística.
Manoel Carlos deixa as filhas, a atriz Júlia Almeida e a roteirista Maria Carolina. O velório será fechado e restrito a familiares e amigos íntimos. A família agradeceu as manifestações de carinho, solicitando respeito e privacidade neste momento delicado de despedida.
Trajetória: Do teatro à teledramaturgia
Nascido em São Paulo em 1933, Manoel Carlos iniciou a vida profissional aos 14 anos como auxiliar de escritório. O interesse pelas artes surgiu cedo, culminando na estreia como ator aos 17 anos no Grande Teatro Tupi, sendo premiado como revelação.
Antes da Globo, Maneco passou por emissoras como Record, TV Itacolomi (1955-1980) e TV Tupi (1950-1980). Na década de 1960, colaborou com Chico Anysio (1931-2012) em programas musicais. A transição para as novelas ocorreu em 1978 com a adaptação de Maria, Maria, firmando seu estilo focado em dramas verossímeis. Sua ascensão na teledramaturgia veio com a parceria em Água Viva (1980) com Gilberto Braga (1945-2021).
Ele emplacou sucessos memoráveis como História de Amor (1995) e Por Amor (1997). A novela Laços de Família (2000) parou o país com a cena de Camila raspando a cabeça. Outras tramas como Mulheres Apaixonadas (2003) e Páginas da Vida (2006) levantaram debates sociais importantes sobre alcoolismo, violência e preconceito.
Sua última novela foi Em Família (2014), que encerrou o ciclo das Helenas com Julia Lemmertz. Maneco explicava que o nome das protagonistas vinha de sua paixão pela mitologia grega, vendo-as como símbolos de mulheres fortes e guerreiras.
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Fonte: https://www.tvpop.com.br