Uma pesquisa realizada pelo Datafolha e divulgada nesta segunda-feira, 18, revela que a maioria dos brasileiros considera fundamental que a próxima indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) seja uma mulher. O levantamento destaca a importância da diversidade na composição da Corte, especialmente em um momento em que o governo enfrenta desafios políticos após a rejeição da indicação de Jorge Messias pelo Senado.
Importância da Diversidade na Composição do STF
De acordo com a pesquisa, 51% dos entrevistados afirmam que é “muito importante” que a próxima indicação ao STF seja de uma mulher. Em contrapartida, 18% consideram esse critério “pouco importante” e 27% afirmam que não há importância nesse aspecto.
Além disso, 46% dos participantes consideram essencial que o indicado seja uma pessoa negra, enquanto 16% veem isso como pouco relevante e 34% não atribuem importância a essa característica. O mesmo percentual de 46% acredita que o perfil religioso do indicado também é um fator relevante.
Atributos Valorizados na Escolha de Ministros
Os atributos mais valorizados na seleção de ministros do STF incluem:
- Ótimo conhecimento jurídico (85% consideram muito importante)
- Independência em relação a políticos e partidos (64%)
- Apoio dos atuais ministros da Corte (53%)
- Lealdade ao presidente que o indicou (51%)
- Afilição com deputados e senadores (47%)
Contexto Atual do STF
Atualmente, o STF conta com apenas uma mulher, a ministra Cármen Lúcia, que ocupa a Corte desde 2006 e está prevista para se aposentar em 2029. Outras duas mulheres já integraram o tribunal: Ellen Gracie e Rosa Weber.
Em abril, o Congresso Nacional rejeitou a indicação do advogado-geral da União Jorge Messias para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, um evento considerado histórico, já que uma rejeição desse tipo não ocorria desde 1894. Apesar disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou que pretende tentar novamente a indicação de Messias ainda este ano.
Conhecimento da Rejeição e Impacto Político
Segundo o Datafolha, 59% dos entrevistados afirmaram desconhecer a rejeição de Messias, enquanto 41% estavam cientes. Entre os que acompanharam o tema, 19% se disseram bem informados, 18% mais ou menos informados e 4% mal informados. Desses, 53% acreditam que o governo saiu politicamente mais fraco após a rejeição, enquanto 36% afirmaram que a situação não alterou a força do Planalto.
Antes da formalização da indicação de Messias, diversas entidades pressionaram o presidente pela escolha de uma mulher para a Suprema Corte, ressaltando que a saída de Barroso representava uma oportunidade para promover a igualdade na Justiça brasileira.
O levantamento foi realizado com 2.004 eleitores com mais de 16 anos em 139 municípios do Brasil, entre os dias 12 e 13 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-00290/2026.
Fonte: noticiasaominuto.com.br