O Dia das Mães deste ano será marcado pela saudade para Cynara Ferreira, que enfrenta a perda da filha caçula, Marina Ferreira Rocha, de 7 anos, falecida em um acidente com um quadriciclo em fevereiro. Apesar da dor, Cynara tomou a decisão de doar os órgãos da criança, incluindo o coração.
mãe: cenário e impactos
“A semana toda foi difícil. Minha dor fica menor ao saber que o coração dela segue vivo. É saber que o fim da vida dela aqui foi digno da alegria da Marina. Ajudar outras seis crianças que vão poder continuar vivendo não tem preço nem explicação. Isso conforta a gente”, declarou Cynara.
O coração de Marina salvou a vida da pequena Sophia Vitória, de 1 ano e 8 meses, que estava internada no Hospital do Coração de Messejana, em Fortaleza, diagnosticada com cardiopatia dilatada.

Marina passou quatro dias na UTI até a confirmação da morte encefálica. Durante esse tempo, Cynara e as filhas, de 15 e 11 anos, tocaram as músicas favoritas da criança, contaram histórias e fizeram pinturas.
A mãe ressaltou o impacto positivo que a morte de Marina teve na vida de outras pessoas, criando uma corrente de amor e generosidade. A família continua a receber apoio e orações de pessoas de várias partes do país.
“Após o acidente, eu às vezes paro e penso no outro lado. A dor dos pais que vão doar é grande, mas a dor dos pais que têm uma criança esperando um órgão é muito difícil. É dormir sem saber se o seu filho, no dia seguinte, estará vivo, e você não ter o que fazer. Isso me toca muito, porque a doação de órgãos no Brasil é muito difícil”, contou.
Saudade e Memórias

Desde a morte de Marina, a casa da família se transformou em um espaço de acolhimento: “um lugar de chorar e sorrir”. Cynara compartilha que todos os dias encontra sinais da presença da filha, seja em bilhetes deixados na Bíblia, em desenhos ou em composições espalhadas pela casa.
“Eu acredito que o luto a gente aprende a conviver, não como dor, mas como uma saudade feliz dos momentos bons que você teve com a pessoa”, declarou.
Marina era uma menina cheia de vida, que se destacava pela alegria e pelas atividades que realizava, como tocar instrumentos, escrever músicas, praticar ginástica, balé e natação.
“A gente nunca sabe o dia de amanhã. Se eu puder dizer algo, eu digo: aproveitem os momentos, registrem e guardem tudo, porque, quando acontece alguma coisa, o que fica são as memórias boas. Não deixem para depois um abraço ou um beijo. Eu tirava muitas fotos da Marina e hoje isso é um acervo que eu tenho”, concluiu.
Fonte: portalclubenews.com