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Mãe denuncia negligência após morte da filha em parto no Piauí

Mãe denuncia negligência médica após morte da filha recém-nascida em Picos, Piauí. Caso reaberto pela polícia.
Mãe denuncia negligência após morte da filha em parto no Piauí

A atendente de loja Ana Loyse Mendes denunciou um suposto caso de negligência médica após a morte de sua filha recém-nascida em Picos, no Sul do Piauí. Segundo relatos, a médica responsável pelo atendimento insistiu na realização de um parto normal, mesmo diante de complicações, o que, segundo a família, pode ter contribuído para a morte da criança.

mãe: cenário e impactos

A revolta da família aumentou após o boletim de ocorrência registrado em fevereiro ter sido arquivado três dias depois, sem avanços nas investigações. Para os familiares, essa decisão demonstra falta de sensibilidade diante da gravidade do caso.

Além disso, a família alega que o arquivamento ocorreu porque o delegado plantonista seria irmão da médica responsável pelo parto.

A bebê, chamada Ana Laura, realizou pré-natal com acompanhamento regular, conforme exames feitos durante a gestação.

“Eu sempre sonhei em ser mãe. Minha gestação foi toda tranquila, desde o primeiro até o último trimestre. A Ana Laura foi muito esperada”, disse a mãe.

No dia do parto, Ana Loyse deu entrada no Hospital Regional Justino Luz, por volta das 17h30, recebendo um diagnóstico inicial favorável ao parto normal.

No entanto, às 19h, durante a troca de plantão, uma médica residente assumiu o atendimento. Segundo a família, foi nesse momento que começaram as falhas no protocolo médico.

Conforme denúncia do Ministério Público do Piauí (MP-PI), uma enfermeira e uma fisioterapeuta perceberam que as contrações começaram a se espaçar e recomendaram a realização de uma cesariana, mas o procedimento foi recusado pela médica.

“Eu já passando mal, vomitei, sem aguentar, me deu suor frio, tontura, eu dizendo ‘não aguento mais, quero cesária’. Quando foi 11h55, eu consegui expulsar a Ana Laura, e ela [médica] não estava lá. Só estavam a fisioterapeuta e a enfermeira”, relatou Ana Loyse.

Polícia reabre caso

Diante da repercussão e das críticas, a Polícia Civil do Piauí decidiu reabrir o caso. A nova investigação deve analisar prontuários médicos, ouvir testemunhas e solicitar perícias para esclarecer as circunstâncias da morte da bebê.

O delegado Rodrigo Morais, titular da Delegacia de Picos, explicou à TV Clube que estava de férias quando o caso ocorreu, mas que, assim que foi comunicado pelo MP-PI, adotou as providências cabíveis. Entre as medidas, foi instaurado um inquérito policial, que acabou sendo repassado a outra autoridade policial.

“Foi registrado como fato atípico durante as minhas férias. Os boletins de ocorrência, quando são registrados como fatos atípicos, eu não abro, eu não leio o conteúdo porque é um fato elencado como não criminoso. Não tenho como fazer juízo de valor porque o BO foi registrado sem a minha supervisão”, ressaltou.

Em nota, o Ministério Público confirmou que mantém um procedimento em andamento para apurar possíveis falhas no serviço de obstetrícia do Hospital Regional de Picos e informou que já solicitou ao Conselho Regional de Medicina (CRM) a investigação da conduta dos médicos envolvidos.

Outro lado

O CRM informou que não pode se pronunciar por se tratar de um caso que corre sob sigilo, mas confirmou a instauração de sindicância e que a investigação está em andamento.

O Hospital Regional Justino Luz informou que um comitê interno apurou a situação e concluiu que a morte da bebê foi um “evento adverso de natureza clínica”, sem correlação direta com negligência, imprudência ou imperícia profissional.

A reportagem também tentou contato com o delegado responsável pelo arquivamento inicial da denúncia, mas ele preferiu não se pronunciar. A produção não conseguiu contato com a médica denunciada.

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