O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não participará dos eventos do 1º de Maio em 2026, repetindo a decisão do ano anterior. Em vez de se juntar às manifestações nas ruas, Lula optou por gravar um pronunciamento que foi transmitido em rede nacional de rádio e televisão no dia 30 de abril. A escolha ocorre após uma semana conturbada para o governo, marcada pela rejeição de Jorge Messias no Senado.
Representação do Executivo em eventos
A ausência de Lula será compensada por ministros e ex-ministros que representarão o Executivo federal em diversas localidades. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, estará presente em uma celebração em São Bernardo do Campo, enquanto o ministro da Educação, Leonardo Barchini, também participará dos eventos. Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo paulista, comparecerá a ações na Liberdade e em São Bernardo do Campo. Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento, estará no evento dos metalúrgicos, também na Liberdade.
Saúde do presidente e contexto das ausências
Segundo a assessoria do Palácio do Planalto, a ausência de Lula não está relacionada a problemas de saúde. O presidente passou por uma cirurgia no dia 24 de abril no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para a retirada de um carcinoma basocelular, um tipo comum e menos agressivo de câncer de pele. Em 2025, Lula já havia se ausentado das comemorações do Dia do Trabalhador após denúncias de fraudes no INSS.
Críticas e mobilizações
No ano passado, um evento organizado por centrais sindicais atraiu apenas 1,6 mil pessoas na Neo Química Arena, em São Paulo. Na ocasião, Lula criticou a articulação do governo com movimentos sociais, afirmando que não houve o esforço necessário para mobilizar o público. Este ano, Guilherme Boulos (Psol), atual chefe da Secretaria Geral da Presidência, participa da mobilização dos Metalúrgicos do ABC. O Partido dos Trabalhadores organizou manifestações em todos os 27 estados, em parceria com centrais sindicais e movimentos sociais, destacando o pedido de extinção da escala de trabalho 6 x 1.
Discurso e iniciativas do governo
No discurso transmitido em cadeia nacional, Lula defendeu a redução da jornada de trabalho e anunciou para a próxima segunda-feira, dia 4, o lançamento da segunda etapa do programa Desenrola, que visa à renegociação de dívidas. A proposta de diminuir a escala 6 x 1 foi apresentada como uma política voltada especialmente para as mulheres, que enfrentam a dupla jornada entre trabalho e tarefas domésticas.
O 1º de Maio, tradicionalmente um dia de celebração dos trabalhadores, traz à tona questões importantes sobre a relação do governo com as centrais sindicais e a mobilização popular. A ausência de Lula pode impactar a percepção pública sobre seu governo e suas políticas.