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Inteligência artificial: o impacto nos laços humanos e na saúde mental

Em um mundo que acelera e fragmenta as interações, a busca por afeto e validação permanece intrínseca ao ser humano. Nesse cenário, a Inteligência Artificial (IA) emerge como uma presença constante, acessível e, aparentemente, empática. Ela se insere nas lacunas emocionais deixadas por rotinas exaustivas e sistemas de cuidado insuficientes, oferecendo uma escuta imediata sem […]

O uso de chatbots terapêuticos, pode reduzir sintomas de solidão e isolamento, mas não substit...

Em um mundo que acelera e fragmenta as interações, a busca por afeto e validação permanece intrínseca ao ser humano. Nesse cenário, a Inteligência Artificial (IA) emerge como uma presença constante, acessível e, aparentemente, empática. Ela se insere nas lacunas emocionais deixadas por rotinas exaustivas e sistemas de cuidado insuficientes, oferecendo uma escuta imediata sem julgamento ou pressa.

Essa companhia digital, embora assimétrica, ativa mecanismos de reconhecimento e pertencimento, redefinindo a dinâmica do afeto contemporâneo. O vínculo passa a incluir entidades técnicas que, ao mesmo tempo em que ampliam o acesso ao acolhimento, exigem maturidade coletiva para diferenciar apoio emocional de uma substituição completa das relações humanas.

A urgência dessa discussão é palpável. Relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental globalmente, com depressão e ansiedade gerando perdas de produtividade estimadas em US$ 1 trilhão por ano. No Brasil, o quadro é ainda mais intenso, com cerca de 56 milhões de brasileiros, ou quase 27% da população, convivendo com algum grau de transtorno de ansiedade.

É nesse contexto que as companhias digitais de IA ganham terreno. Aplicativos conversacionais, assistentes generativos e avatares terapêuticos se apresentam como ferramentas de apoio emocional ou se infiltram na vida diária como assistentes de produtividade, tornando-se confidentes e espelhos de angústias. Eles seduzem principalmente aqueles que se sentem excluídos da terapia tradicional por custo, conveniência ou estigma, oferecendo um espaço de conversa anônimo e sem custo por sessão.

Pesquisas avaliam o impacto da IA na saúde mental

A ciência já começa a mensurar os efeitos dessa interação. Pesquisadores de Dartmouth College, nos EUA, conduziram um ensaio clínico com o chatbot terapêutico Therabot em 106 pessoas com depressão maior, transtorno de ansiedade generalizada ou risco de transtorno alimentar. Após oito semanas, o grupo que utilizou o sistema registrou uma redução média de 51% nos sintomas de depressão, 31% na ansiedade e 19% em preocupações com a imagem corporal, conforme o relatório do estudo, divulgado em 2025 pela universidade. Os resultados foram comparáveis aos da terapia ambulatorial tradicional, oferecendo alívio clínico real onde, para muitos participantes, antes havia apenas vazio.

Contudo, o uso massivo de ferramentas genéricas de IA para desabafo emocional expõe riscos pouco visíveis. Estimativas da própria OpenAI sobre a base semanal de usuários do ChatGPT indicam que cerca de 0,07% dos usuários ativos exibem sinais de possíveis emergências de saúde mental, como psicose ou mania, enquanto 0,15% têm conversas com indicadores explícitos de planejamento ou intenção suicida.

A Inteligência Artificial não busca ocupar o lugar de ninguém, mas abre um novo plano de relacionamento afetivo, um “terceiro espaço” onde vínculos com humanos e laços com sistemas convivem. A questão central deixa de ser se isso é desejável e passa a ser: em quais condições essa companhia digital amplia o cuidado psíquico e em quais cenários empurra pessoas vulneráveis para um isolamento emocional profundo?

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Fonte: https://www.tecmundo.com.br

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