No litoral do Piauí, comunidades do Delta do Parnaíba uniram forças em uma importante iniciativa ambiental: o plantio de mudas nativas. A ação visa recuperar áreas de restinga, ecossistema vital para proteger o habitat do tamanduaí, o menor e menos conhecido tamanduá do mundo.
Cerca de 600 mudas, cultivadas pelas comunidades Cal, Baixão e Pantanal, foram empregadas nesta primeira etapa. O trabalho foca na recuperação de aproximadamente 30 hectares de restinga em zonas de amortecimento do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, localizado em Barreirinhas, Maranhão. Essas áreas são cruciais para reduzir impactos ambientais externos à unidade de conservação.
O Delta do Parnaíba e os Lençóis Maranhenses representam um dos principais habitats do tamanduaí no Nordeste. Iniciada em dezembro do ano passado, a ação é financiada pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, em parceria com o Instituto Tamanduá, contando com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a participação ativa das comunidades locais.
Flávia Miranda, presidente do Instituto Tamanduá, ressalta a importância da recuperação da restinga para manter o equilíbrio ambiental regional. Para garantir a continuidade dos esforços, a implantação de um viveiro de mudas no distrito de Atins, também no Maranhão, já está prevista.
O Tamanduaí: uma Espécie Pouco Conhecida
O tamanduaí, animal solitário e de hábitos noturnos e arborícolas, mede cerca de 30 centímetros e pesa no máximo 400 gramas. A espécie habita manguezais e restingas na região Nordeste, estendendo-se do Delta do Parnaíba até os Lençóis Maranhenses. Classificado como ‘dados deficientes’ pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o animal ainda é um mistério para a ciência. Estudos genéticos apontam que os tamanduaís do Delta do Parnaíba estão isolados há cerca de 2 milhões de anos daqueles encontrados na Amazônia, desenvolvendo-se de forma independente.
Descoberta no Piauí Partiu de Alerta de Morador
A presença do tamanduaí no litoral piauiense começou a ser investigada após o alerta de um morador local. Em 2008, o guia turístico Pedro da Costa Silva, conhecido como Pedro Holandês, da Ilha Grande de Santa Isabel, reconheceu o animal em uma reportagem e imediatamente contatou pesquisadores. A partir de seu relato e dos registros fotográficos, expedições foram realizadas, confirmando a ocorrência da espécie em manguezais, restingas e florestas de cajueiros do Delta do Parnaíba, solidificando a região como habitat crucial no Nordeste.
Ecossistema da Restinga é Vital
Apesar de muitas vezes subestimada, a restinga é um ecossistema fundamental para a proteção do litoral brasileiro. Sua vegetação atua protegendo os lençóis freáticos e serve como barreira natural contra a erosão e o avanço do mar. Especialistas alertam que a degradação da restinga e dos manguezais impacta diretamente espécies como o tamanduaí, além de aumentar a vulnerabilidade das comunidades costeiras.
A conservação dessas áreas é, portanto, um esforço contínuo que garante não só a sobrevivência do pequeno tamanduaí, mas também a estabilidade de ecossistemas costeiros e a segurança das comunidades que deles dependem.
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Fonte: https://g1.globo.com