Os preços ao consumidor nos Estados Unidos devem registrar uma alta mais acentuada em janeiro, conforme as empresas ajustam seus valores no início do ano. Esta aceleração esperada na inflação ao consumidor nos EUA, combinada com a estabilização do mercado de trabalho, pode influenciar o Federal Reserve a manter a taxa de juros inalterada por um período. O relatório detalhado de inflação do Departamento do Trabalho será divulgado esta sexta-feira, trazendo dados importantes sobre a economia americana.
Economistas apontam que o aumento previsto no índice de preços ao consumidor também reflete a contínua repercussão das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump. Este cenário se desenrola após notícias recentes de uma significativa aceleração no crescimento do emprego em janeiro e a queda da taxa de desemprego de 4,4% em dezembro para 4,3%.
Ajustes sazonais e o 'efeito janeiro'
Diego Anzoategui, economista do Morgan Stanley, explica que “as empresas tendem a aumentar os preços no início do ano, após a temporada de festas”. Ele acrescenta que “fatores sazonais não eliminam totalmente esse padrão, então os índices de inflação ajustados sazonalmente tendem a ser mais altos do que durante o resto do ano”. Uma pesquisa da Reuters com economistas indica que os preços ao consumidor provavelmente subiram 0,3% em janeiro, repetindo a taxa observada em dezembro, com estimativas variando de 0,1% a 0,4%.
O Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho publicará, junto ao relatório de janeiro, fatores de ajuste sazonal recalculados para incorporar os movimentos de preços de 2025. Isso pode levar a revisões nos índices ajustados sazonalmente dos últimos cinco anos. Apesar das atualizações, economistas não esperam que os novos fatores sazonais resolvam o chamado “efeito janeiro”, onde os números têm superado consistentemente as expectativas em todos os meses de janeiro.
Impactos de paralisações e cenário anual
O relatório de inflação foi brevemente adiado pela paralisação de três dias do governo federal na semana passada. No ano passado, uma paralisação mais longa chegou a impedir a coleta de preços para outubro, gerando volatilidade nos dados do consumidor. Para o relatório de janeiro, espera-se uma diminuição dessa volatilidade.
No acumulado dos 12 meses até janeiro, o índice deve ter avançado 2,5%. Esta desaceleração na taxa de inflação anual, que foi de 2,7% em dezembro, deve-se principalmente à saída dos cálculos dos valores mais altos do ano passado. O banco central dos EUA utiliza o índice PCE para monitorar sua meta de inflação de 2%. Ambas as medidas, no entanto, permanecem acima do objetivo estabelecido pelo Fed, que manteve sua taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% no mês passado.
O Altos News continuará acompanhando os desdobramentos da economia e seus impactos.
Fonte: https://www.infomoney.com.br