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Indústria Alemã Reage a Exigência de Trump sobre a Groenlândia

BERLIM, 18 Jan — A indústria alemã reagiu com veemência neste domingo à intenção do então presidente dos EUA, Donald Trump, de usar tarifas como forma de pressão para que a Dinamarca venda a Groenlândia. Setores empresariais da Alemanha pedem uma postura firme da Europa, instando o continente a não ceder às exigências, que consideram […]

Fábrica da ThyssenKrupp em Duisburg, na Alemanha (Foto: Wolfgang Rattay/Reuters)

BERLIM, 18 Jan — A indústria alemã reagiu com veemência neste domingo à intenção do então presidente dos EUA, Donald Trump, de usar tarifas como forma de pressão para que a Dinamarca venda a Groenlândia. Setores empresariais da Alemanha pedem uma postura firme da Europa, instando o continente a não ceder às exigências, que consideram prejudiciais para a estabilidade econômica.

A ameaça de Trump de implementar uma onda de tarifas crescentes sobre aliados europeus, caso os Estados Unidos não obtenham permissão para comprar a ilha estrategicamente importante, surge após um período de relativa calmaria para as empresas. Essa tranquilidade vinha desde o verão passado, quando Bruxelas e Washington haviam fechado um acordo comercial que visava aliviar as tensões.

A Alemanha, cuja economia é fortemente voltada para a exportação, mostra-se particularmente vulnerável a essas novas tarifas. O país emergia lentamente de dois anos de declínio, com as tensões comerciais globais já impactando a demanda por seus produtos essenciais, como automóveis, máquinas e produtos químicos.

Apelo por Unidade Europeia

Líderes da indústria alemã pediram uma resposta unificada da União Europeia. Bertram Kawlath, presidente da associação alemã de engenharia VDMA, alertou: “Se a UE ceder aqui, isso apenas incentivará o presidente dos EUA a fazer a próxima exigência absurda e ameaçar com mais tarifas.”

Volker Treier, especialista em comércio exterior da Câmara Alemã de Comércio e Indústria (DIHK), endossou a crítica, afirmando que “objetivos políticos altamente controversos estão sendo vinculados a sanções econômicas de forma inaceitável”. As declarações se somam a uma posição similar emitida no sábado pelo chefe da associação automotiva VDA da Alemanha.

Uma das opções para a UE seria o uso do “Instrumento Anti-Coerção”, ferramenta nunca antes utilizada que permite ao bloco retaliar contra países que exerçam pressão econômica sobre seus membros. A recente ameaça de Trump pode, inclusive, inviabilizar acordos provisórios que ele havia firmado no ano passado com a União Europeia e o Reino Unido, este último também alvo das tarifas planejadas para a Groenlândia.

VDMA e DIHK levantaram dúvidas sobre a viabilidade de o Parlamento Europeu votar um acordo com Washington ainda neste mês, especialmente aquele que envolveria a remoção de tarifas da UE sobre produtos norte-americanos importados. Kawlath reforçou a inviabilidade: “O Parlamento Europeu não pode decidir sobre cortes tarifários para os EUA na próxima semana enquanto Washington estiver pressionando a União Europeia com novas tarifas punitivas.”

Acompanhe os próximos desdobramentos desta complexa questão que promete agitar o cenário político e econômico global.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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