Enquanto a imprensa ganhava corpo no Rio de Janeiro a partir de 1808, com a Gazeta do Rio de Janeiro, a província do Piauí viu seu primeiro jornal, O Piauiense, circular apenas em 15 de agosto de 1834. Editado na então capital Oeiras, este periódico primordialmente divulgava atos oficiais do governo provincial, evidenciando uma forte ligação com o presidente da província, Manoel de Sousa Martins, conhecido como Barão da Parnaíba. O surgimento da imprensa no Piauí, portanto, foi marcado por um caráter oficial e controlado.
Manoel de Sousa Martins, futuro Visconde da Parnaíba, detinha um comando político firme na província, o que inibia o surgimento de uma imprensa crítica à sua gestão. Historiadores como Pedro Vilarinho apontam que o barão, após receber as mercês do Imperador D. Pedro I, comandava com “mão de ferro” a política local. Sua influência era tamanha que a tipografia responsável por O Piauiense pertencia ao Pe. Antonio Fernandes da Silveira, amigo íntimo do barão e ex-Secretário de Governo da Província em 1824.
A linha institucional permaneceu com o segundo jornal da província, o Correio da Assembleia Legislativa do Piauí, lançado em 16 de maio de 1835. Dedicado a noticiar os trabalhos da câmara recém-instalada, ele não representava ameaça ao poder do barão, restringindo-se a divulgar as ações dos deputados.
Mais tarde, em meio à Balaiada (1838-1841), surgiu O Telégrafo. Uma portaria de 22 de novembro de 1839 autorizou sua criação, com o objetivo de informar sobre as ocorrências do conflito e os atos governamentais a ele relacionados. As notícias publicadas visavam elevar o moral das tropas e da população, destacando feitos de bravura dos legalistas, como o de Tomé Mendes Vieira.
Em 1841, já sob o governo de D. Pedro II, Manoel de Sousa Martins recebeu o título de Visconde da Parnaíba por seus serviços na repressão aos balaios. Contudo, dois anos depois, com mais de 70 anos, sua hegemonia no poder chegou ao fim. Este período marcou a abertura para uma nova fase na imprensa piauiense, onde o debate político ganharia mais espaço.
Um marco dessa transição foi o aparecimento do jornal O Liberal Piauiense em 1845, editado pelo jornalista Lívio Lopes Castelo Branco e Silva. A partir da segunda metade do século XIX, a província do Piauí testemunharia a proliferação de inúmeros outros periódicos, refletindo os diversos grupos políticos em disputa pelo controle local, em um cenário de maior liberdade de expressão.
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Fonte: https://portalclubenews.com