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Idosa presa por estelionato enganou amiga com doença de ex

Em um caso de fraude que chocou a cidade de Altos, no Piauí, uma mulher idosa foi detida pela Polícia Civil sob a acusação de estelionato. A investigada, de 63 anos, é suspeita de aplicar um golpe financeiro contra uma amiga, também idosa, por um período de aproximadamente seis meses. A trama envolveu a simulação […]

G1

Em um caso de fraude que chocou a cidade de Altos, no Piauí, uma mulher idosa foi detida pela Polícia Civil sob a acusação de estelionato. A investigada, de 63 anos, é suspeita de aplicar um golpe financeiro contra uma amiga, também idosa, por um período de aproximadamente seis meses. A trama envolveu a simulação de uma grave doença por parte de um antigo namorado da vítima, com o objetivo de arrecadar dinheiro para um falso tratamento. A manipulação emocional levou a vítima a transferir entre R$ 30 mil e R$ 35 mil à suspeita, acreditando estar auxiliando na recuperação de seu ex-companheiro e alimentando a esperança de um reencontro.

A engenharia do golpe em Altos

Falsa doença e promessas de retorno

A sofisticada trama fraudulenta, desvendada pelas autoridades policiais, revelou como a confiança e a vulnerabilidade emocional de uma amiga podem ser exploradas em benefício próprio. A idosa detida, identificada pelas iniciais F.S.L.F., orquestrou uma narrativa elaborada, convencendo sua amiga de que um antigo namorado desta estaria gravemente enfermo e necessitando de auxílio financeiro urgente para custear seu tratamento. Durante cerca de seis meses, a golpista manteve a vítima sob forte influência, criando cenários e desculpas para justificar a ausência do ex-namorado, que, segundo ela, estaria internado ou em recuperação.

A vítima, movida por sentimentos de carinho e esperança, genuinamente acreditava que seu antigo amor estava prestes a retornar, uma vez recuperado. O delegado André Moreno, da Delegacia Seccional de Altos, descreveu a situação com pesar, relatando que a “senhorinha ficava esperando o antigo namorado, cozinhava, achava que ele iria voltar, arrumava a casa”. Essa expectativa irreal, cuidadosamente alimentada pela suspeita, foi fundamental para o sucesso do golpe. Cada contratempo ou adiamento no suposto retorno do ex-namorado era justificado pela golpista com novas histórias sobre a gravidade da doença ou a necessidade de mais recursos para o tratamento, aprofundando o engodo e o prejuízo da vítima.

Prejuízo financeiro e a crença da vítima

A exploração da fragilidade emocional da vítima resultou em um significativo dano financeiro. Ao longo dos seis meses em que o golpe foi executado, a idosa enganada realizou diversas transferências bancárias e pagamentos via Pix diretamente para a conta da suspeita. O montante acumulado das perdas da vítima foi estimado pela Polícia Civil em valores que variam entre R$ 30 mil e R$ 35 mil. Esse dinheiro, que a vítima acreditava estar sendo direcionado para a recuperação de seu ex-namorado, jamais chegou ao suposto enfermo, tampouco foi utilizado para qualquer tipo de tratamento. A investigada simplesmente embolsava os valores, utilizando-os para fins próprios.

A crença inabalável da vítima na história contada pela amiga é um dos aspectos mais marcantes e tristes deste caso de estelionato. Ela estava convencida de que cada transferência representava uma contribuição essencial para a saúde de seu antigo amor, sem desconfiar que estava sendo duplamente traída: pela pessoa em quem confiava e pela falsa promessa de um reencontro. A ausência de qualquer contato direto com o ex-namorado, justificada pela golpista como parte da gravidade de sua condição, apenas reforçava a necessidade de confiar na intermediária, tornando a vítima ainda mais suscetível à manipulação financeira.

Desvendando a farsa: a atuação do filho e da polícia

A desconfiança e a busca por evidências

A farsa começou a ruir quando o filho da vítima notou um comportamento atípico na mãe e uma movimentação financeira suspeita. Preocupado com a discrição da idosa em relação às suas finanças e com o volume de transferências, ele decidiu investigar. Embora a mãe tentasse esconder os detalhes, o filho conseguiu acessar os comprovantes de Pix e recibos bancários, que revelaram uma série de transações para a mesma pessoa – a agora suspeita. Esse achado inicial foi o catalisador para uma investigação particular mais aprofundada, que viria a expor toda a trama de engano.

Com os documentos em mãos, o filho da vítima iniciou uma busca pela verdade. Ele descobriu que o antigo namorado de sua mãe estava vivo, bem de saúde e, inclusive, casado há anos, totalmente alheio a qualquer suposta doença ou internação. Essa revelação chocante contradizia por completo a história contada pela amiga de sua mãe. Determinado a confrontar a realidade, o filho procurou o ex-namorado e, em um momento crucial, levou sua mãe para conversar com ele. Foi nesse encontro que a vítima “abriu os olhos”, conforme relatou o delegado André Moreno, percebendo que havia sido enganada e traída por alguém em quem depositava sua total confiança. A verdade desmascarou a golpista e iniciou o processo para a busca por justiça.

A intervenção policial e a prisão da suspeita

Após a dolorosa descoberta e a comprovação da fraude, a vítima, acompanhada por testemunhas, dirigiu-se à Delegacia Seccional de Altos, a cerca de 40 km de Teresina, para registrar a ocorrência. O delegado André Moreno detalhou que a idosa relatou ter sido enganada e que as transferências bancárias e Pix que realizou para a autora tinham como finalidade supostamente auxiliar na recuperação de um antigo namorado de sua juventude. As investigações da Polícia Civil de Altos rapidamente confirmaram as alegações da vítima.

Foi apurado que os valores transferidos pela vítima jamais foram repassados para o suposto enfermo. Além disso, a polícia confirmou que o ex-namorado da vítima não estava internado, não estava recebendo ajuda financeira e, o mais importante, não estava doente. Com base nas evidências e nos depoimentos, a investigada F.S.L.F., de 63 anos, foi autuada pelo crime de estelionato, cuja pena pode variar de um a cinco anos de reclusão, além de multa. A prisão da suspeita ocorreu na terça-feira (23), marcando o fim de um período de seis meses de engano e manipulação que custou à vítima não apenas uma significativa quantia em dinheiro, mas também um profundo abalo emocional.

Consequências legais e impacto social

O crime de estelionato, conforme previsto no Artigo 171 do Código Penal Brasileiro, configura-se pela obtenção de vantagem ilícita em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento. Neste caso em Altos, a exploração da vulnerabilidade emocional e da confiança da vítima é um agravante, evidenciando a crueldade da ação. A prisão da idosa F.S.L.F. serve como um lembrete severo das consequências legais para aqueles que praticam tais atos, buscando lucro à custa do sofrimento alheio.

Além das implicações jurídicas para a autora do golpe, o caso ressalta o impacto devastador que o estelionato pode ter na vida das vítimas, especialmente idosos. A perda financeira é apenas uma parte do trauma; a traição da confiança por uma amiga próxima, a manipulação de sentimentos e a quebra de expectativas podem gerar profundas cicatrizes emocionais. É fundamental que a sociedade esteja atenta a esses crimes, que frequentemente visam os mais vulneráveis, e que a vigilância familiar e a denúncia imediata sejam incentivadas. Este incidente em Altos não é isolado e sublinha a importância de desconfiar de pedidos financeiros incomuns, mesmo quando feitos por pessoas próximas, e de sempre verificar a veracidade das informações, especialmente em situações que envolvem fortes apelos emocionais.

Perguntas frequentes

Qual foi o golpe aplicado em Altos?
Uma idosa enganou a amiga simulando que o ex-namorado da vítima estava gravemente doente e precisava de dinheiro para tratamento médico.

Quanto dinheiro a vítima perdeu no estelionato?
A vítima teve um prejuízo financeiro avaliado entre R$ 30 mil e R$ 35 mil, transferidos para a golpista ao longo de seis meses.

Como a fraude foi descoberta?
O filho da vítima desconfiou das atitudes da mãe e encontrou comprovantes de Pix. Após investigar, descobriu que o ex-namorado não estava doente e era casado, revelando a farsa para a mãe.

Qual a idade da idosa presa e da vítima?
A idosa presa por estelionato tem 63 anos. A vítima também é uma mulher idosa, embora sua idade exata não tenha sido detalhada.

Mantenha-se informado sobre casos de estelionato e proteja seus entes queridos contra golpes. A vigilância é a melhor defesa.

Fonte: https://g1.globo.com

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