Uma operação interestadual deflagrada nesta quarta-feira (04) desmantelou um esquema criminoso que se passava por advogados e servidores da Justiça para aplicar golpes. A ação resultou na prisão de 14 pessoas em cinco estados: Piauí, Ceará, Goiás, Amazonas e Pernambuco. Estima-se que os criminosos tenham causado um prejuízo de aproximadamente R$ 500 mil a pelo menos 50 vítimas.
O delegado geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko, explicou que o grupo acessava processos no sistema dos Tribunais de Justiça, o Processo Judicial eletrônico (PJe), que é público. Com petições iniciais e despachos em mãos, eles criavam perfis falsos de WhatsApp com a foto do advogado responsável pela ação. Em contato com os clientes, informavam sobre a suposta procedência de uma ação e pediam transferências para ‘custas processuais’ inexistentes, geralmente via PIX, para contas de ‘laranjas’. As vítimas só percebiam o golpe ao procurar o advogado verdadeiro.
A maior parte do grupo, que atuava em diversos estados, estava concentrada na região metropolitana de Fortaleza, Ceará. A operação prendeu cinco lideranças criminosas e diversos ‘laranjas’ que recebiam os valores das vítimas. No total, a polícia busca prender 31 pessoas envolvidas e cumprir 31 mandados de busca e apreensão em cidades do Ceará (Fortaleza, Maracanaú, Tauá, Pacatuba, Caucaia e Aracoiaba), Goiás (Aparecida de Goiânia), Amazonas (Manaus e Borba) e Pernambuco (Recife e Paulista).
A Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) ressalta que os criminosos utilizavam técnicas de engenharia social e acesso indevido a dados processuais para enganar as vítimas. O delegado Humberto Mácola, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), alertou: “Advogados e tribunais não solicitam pagamentos imediatos via PIX para liberação de valores judiciais. Na dúvida, entre em contato direto com o escritório por um número oficial já conhecido.” Mácola reforçou que os alvos da operação não são advogados ou servidores da Justiça, e que as informações não teriam sido repassadas por funcionários públicos.
A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Piauí (OAB-PI), informou que a operação também é fruto de uma construção institucional iniciada em 2025, a partir de um termo de cooperação com a Secretaria de Segurança Pública do Estado. A entidade destacou que o trabalho conjunto integra denúncias da advocacia aos mecanismos de investigação, fortalecendo o combate a esse tipo de crime.
As investigações continuam, e novas operações estão previstas para coibir a atuação de indivíduos que se passam por profissionais do direito. A população deve permanecer vigilante e sempre verificar a autenticidade de qualquer solicitação de pagamento relacionada a processos judiciais.
Fonte: https://portalclubenews.com