O Campeonato Brasileiro Série A consolidou em 2025 sua posição como uma das maiores indústrias de entretenimento do país. De acordo com um levantamento da consultoria Ernst & Young, publicado pela revista Forbes, os 20 clubes da elite nacional registraram uma receita recorde de R$ 14,9 bilhões, um crescimento de 33% em relação ao ano anterior.
Esse salto financeiro amplia uma tendência observada nos últimos anos. Nos últimos cinco anos, a arrecadação acumulada dos clubes brasileiros cresceu 73%, impulsionada principalmente por direitos de transmissão, premiações e venda de atletas.
No entanto, esse avanço nas receitas não veio sem problemas estruturais. O endividamento líquido dos clubes também subiu, atingindo R$ 14,3 bilhões em 2025, uma alta de 15% em relação ao ano anterior. Especialistas apontam que esse fenômeno reflete a chamada “inflação da competitividade”, caracterizada pelo aumento nos investimentos em elencos e salários.
Crescimento das receitas e aumento dos custos
Na prática, os clubes arrecadam mais, mas também gastam mais. Os custos operacionais — que incluem folha salarial, logística e manutenção de infraestrutura — cresceram 30% no último ano. Apesar do aumento das dívidas, o futebol brasileiro alcançou um novo patamar de valorização. Segundo o relatório “Finanças e Valuation dos Clubes 2025”, da Sports Value, os ativos totais dos clubes brasileiros — incluindo marcas, estádios e elencos — chegaram a R$ 47,4 bilhões.
Concentração de recursos nos grandes clubes
O estudo também revela uma concentração crescente de recursos em poucos clubes. Flamengo, Palmeiras, Botafogo, São Paulo e Fluminense concentraram, juntos, 49% de toda a receita da Série A em 2025. Esse cenário reforça a formação de uma elite econômica no futebol nacional, impulsionada especialmente pelas Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), premiações continentais e negociações internacionais de jogadores.
Entre os clubes que se destacam fora desse grupo, o Mirassol foi considerado o “unicórnio” financeiro da temporada, terminando o Brasileirão na quarta colocação, mesmo com a 19ª receita da Série A.
Corinthians em situação delicada
Entre os clubes mais endividados, o Corinthians se destaca por sua situação considerada especialmente preocupante. O clube acumula obrigações relacionadas ao financiamento da Neo Química Arena, além de dívidas fiscais e processos trabalhistas. Segundo o estudo, as receitas de bilheteira, camarotes e eventos do estádio estão comprometidas pelo financiamento junto à Caixa Econômica Federal.
Além do Corinthians, Atlético Mineiro, Botafogo e Fluminense concentram grande parte do passivo tributário do futebol brasileiro. No caso do Atlético-MG, o endividamento líquido já equivale a 3,44 vezes a receita anual do clube, mesmo após a transformação em SAF. O Botafogo ainda enfrenta o peso das dívidas herdadas da associação civil anterior à SAF, enquanto o Fluminense lida com preocupações adicionais devido à taxação prevista na Lei 224/2025.