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Fim das Tarifas de Trump nos EUA: Quais impactos para a inflação e o câmbio no Brasil?

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar as tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump, com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), reverberou intensamente nos mercados globais. A expectativa de que o governo americano possa ter de reembolsar cerca de US$ 175 bilhões arrecadados indevidamente cria um cenário de […]

Suprema Corte dos EUA, em Washington 01/07/2024. REUTERS/Kevin Mohatt/File Photo

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar as tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump, com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), reverberou intensamente nos mercados globais. A expectativa de que o governo americano possa ter de reembolsar cerca de US$ 175 bilhões arrecadados indevidamente cria um cenário de incerteza e levanta questões sobre seus reflexos, desde o custo de vida do consumidor americano até a cotação do dólar no Brasil. A queda das tarifas nos EUA é um ponto crucial de atenção para analistas econômicos.

Inflação nos EUA: Preços caem ou margens se recompõem?

Apesar da lógica inicial sugerir produtos mais baratos com o fim dos impostos de importação, o mercado adota uma postura cética quanto a um repasse imediato aos consumidores. Especialistas preveem que a queda de preços não será instantânea. Durante o período em que as tarifas estiveram em vigor, muitas empresas optaram por absorver os custos, comprimindo suas margens de lucro para manter vendas. André Valério, economista sênior do Inter, explica que a redução nos custos tende a ser utilizada para recompor essas perdas. Bruna Allemann, head de investimentos internacionais da Nomos, reforça que o processo será gradual e heterogêneo, dependendo de fatores como estoques e contratos pré-existentes.

A restituição bilionária e os títulos do Tesouro

O principal ponto de incerteza macroeconômica reside na possível devolução de US$ 175 bilhões aos importadores. Esse montante funcionaria como um forte pacote de estímulos, injetando capital na economia, conforme pontua Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez. Contudo, essa injeção, aliada à incerteza jurídica, pode impactar a percepção de risco da dívida americana. Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset Brasil, alerta para a pressão sobre os títulos do Tesouro de longo prazo, com os juros mais curtos caindo e os mais longos subindo devido à questão fiscal. Diante de pressões cruzadas – desinflação potencial versus estímulo fiscal e incerteza –, o Federal Reserve (Fed) deve manter uma postura cautelosa, aguardando para agir.

Impactos no Brasil: Câmbio e Inflação

Para a economia brasileira, o efeito mais direto da decisão da Suprema Corte americana se manifesta no câmbio. O fim da política tarifária agressiva nos EUA diminui o risco global, resultando em um dólar mais fraco frente a moedas emergentes, como o real. Felipe Tavares destaca que este movimento já é percebido nos mercados locais, com o dólar em baixa, cotado a R$ 5,18, e a curva de juros cedendo. A desvalorização do dólar é benéfica para o Brasil, pois barateia importações e alivia a pressão nos preços de itens dolarizados, auxiliando o Banco Central na árdua tarefa de controlar a inflação.

No entanto, Bruna Allemann lembra que esse alívio externo não resolve os desafios estruturais do país. Um dólar mais fraco é um auxílio, mas seu impacto pleno depende da política fiscal brasileira, da trajetória dos juros internos e da percepção geral de risco do país. O cenário exige um acompanhamento atento das dinâmicas econômicas globais e locais.

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Fonte: https://www.infomoney.com.br

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