A filha da servidora encontrada desacordada e com sangramento na Delegacia-Geral da Polícia Civil do Piauí, em Teresina, revelou nesta segunda-feira (23) que foi abordada por um prestador de serviços, agora preso como suspeito de estupro. Ele teria feito perguntas íntimas sobre a mãe dela dentro da delegacia. O delegado-geral, inclusive, já indicou haver fortes indícios de estupro no caso que chocou a capital piauiense.
O encontro com o suspeito ocorreu na quinta-feira (19), durante uma pausa no depoimento que a filha prestava na Casa da Mulher Brasileira. Naquele momento, ela afirmou desconhecer a gravidade da situação da mãe. “Ele fez perguntas pessoais sobre a minha mãe: se ela estava bem, se o sangramento que ela teve tinha parado, se algo mais tinha sido encontrado na região íntima… Foi bem incisivo nisso e estava se mostrando nervoso, mas eu não fazia a mínima ideia do que tinha acontecido”, contou a jovem.
Detalhes da abordagem e a busca por informações
A parente da servidora relatou que chegou à Casa da Mulher Brasileira às 14h30 da quinta, mas só foi informada da possibilidade de estupro à 0h de sexta-feira (20). Antes disso, acreditava que a mãe havia sofrido um mal súbito. “Cheguei completamente às cegas e já fui abordada como ‘filha da vítima’. Me chamaram para prestar depoimento sobre como tinha sido o dia da minha mãe, se ela tinha problema de saúde. Não fui informada do porquê fui chamada, só soube posteriormente pelo hospital”, lembrou.
A servidora está internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital público desde quinta. A família busca transferi-la para uma unidade particular e aguarda resposta do plano de saúde estadual sobre a disponibilidade de vagas.
Família clama por justiça
Para a filha, a condição da mãe representa “o pior cenário que se pode imaginar na vida de alguém”. Ela descreve que a servidora sente pavor e “clama por socorro o tempo todo”. “É um trauma que ninguém sabe dimensionar. Minha família está destruída, a vida da gente está virada ao avesso. É um absurdo que isso aconteça dentro de uma delegacia, um lugar que eu tinha certeza de que ela estava segura. Quero justiça pela minha mãe e por todas que já passaram por isso”, desabafou.
O caso segue em investigação, com a comunidade local acompanhando de perto os desdobramentos e a busca por justiça.
Fonte: https://g1.globo.com