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Feminicídio no Piauí: quase 90% das vítimas estavam sem medida protetiva

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Piauí divulgou, nesta terça-feira (31), o 1º boletim detalhado sobre os casos de feminicídio no estado. O levantamento, que reúne dados cruciais da violência contra mulheres, aponta um dado alarmante: em quase 90% dos casos, as vítimas não possuíam medida protetiva. O Piauí registrou um total de 37 […]

90% das vítimas não tinham medida protetiva e mantinham relação íntima com o agressor (Foto...

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Piauí divulgou, nesta terça-feira (31), o 1º boletim detalhado sobre os casos de feminicídio no estado. O levantamento, que reúne dados cruciais da violência contra mulheres, aponta um dado alarmante: em quase 90% dos casos, as vítimas não possuíam medida protetiva. O Piauí registrou um total de 37 feminicídios em 2025, com picos de ocorrências entre janeiro e março. A capital, Teresina, concentra a maior parte dos registros, com 24,9% do total, seguida por Parnaíba, que soma 16,2% dos casos.

A Relação Entre Vítima e Agressores

A pesquisa da SSP-PI revela que a maioria dos feminicídios no estado é perpetrada por parceiros íntimos, sejam eles atuais ou anteriores. Somados, ex-companheiros, companheiros e cônjuges são responsáveis por 59,5% dos casos, totalizando 22 registros. Especificamente, ex-companheiros foram autores em 24,3% (9 casos), companheiros em 16,2% (6 casos) e cônjuges em 8,1% (3 casos), destacando a gravidade da violência doméstica e familiar.

Ausência de Proteção e Histórico de Denúncias

O relatório da SSP-PI enfatiza uma vulnerabilidade preocupante: 89,2% das mulheres vítimas de feminicídio (33 casos) não haviam solicitado medidas protetivas contra seus agressores. Apenas 10,8% (4 casos) possuíam tal proteção. Além disso, a maioria das vítimas (78,4%, ou 29 casos) não tinha registrado boletim de ocorrência anterior contra o agressor, o que aponta para um silêncio muitas vezes fatal antes do crime.

Perfil das Vítimas e Cenário dos Crimes

O levantamento também traça um perfil das vítimas e das circunstâncias dos crimes. A maior parte das mulheres que perderam a vida era parda (78,4%) ou preta (8,1%), com a faixa etária de 25 a 29 anos sendo a mais afetada (16,22%, 6 casos). Os crimes ocorrem predominantemente em residências, no período da tarde, e o uso de arma branca foi o método mais comum, presente em 37,8% (14 casos) dos registros. Armas de fogo foram utilizadas em 18,9% (7 casos) e envenenamento em 10,8% (4 casos). Domingo é apontado como o dia com maior incidência desses crimes.

Os dados revelados pela SSP-PI acendem um alerta urgente sobre a necessidade de fortalecer as redes de proteção e o encorajamento às denúncias. A alta taxa de vítimas sem medidas protetivas ou histórico de B.O. demonstra que há um longo caminho a ser percorrido na prevenção e combate ao feminicídio no Piauí.

Se você ou alguém que conhece precisa de ajuda, procure os canais oficiais de denúncia e apoio à mulher. Sua vida importa.

Fonte: https://portalclubenews.com

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