Moradores de diversos bairros de Teresina, situados ao longo do trecho da linha férrea que se estende da Matinha à Piçarra, enfrentam uma realidade preocupante. A precariedade no entorno da linha férrea se tornou um problema crônico, gerando insegurança e riscos diários para quem reside ou transita pela região. Composta por 16 viadutos, a estrutura apresenta graves falhas, incluindo muretas de proteção destruídas, erosões acentuadas e o acúmulo indiscriminado de lixo. Essa situação de abandono tem transformado a área em um cenário de vulnerabilidade, impactando diretamente a qualidade de vida e a segurança dos cidadãos. Conforme relatos de residentes como Laura, do bairro Marquês, que há mais de duas décadas convive com a deterioração constante, a falta de manutenção exige uma intervenção urgente.
Degradação estrutural e a rotina de risco para teresinenses
Muretas destruídas e o abandono visível
A paisagem ao redor da linha férrea de Teresina, no trecho compreendido entre a Matinha e a Piçarra, é um reflexo do descaso. Muretas de proteção, essenciais para a segurança de pedestres e veículos, estão frequentemente em ruínas, com pedaços espalhados ou completamente ausentes. Laura, residente no bairro Marquês há mais de vinte anos, detalha a gravidade da situação. “A queda das muretas é frequente, e a quantidade de buracos na via só aumenta”, desabafa, evidenciando o perigo iminente para quem trafega por ali. O cenário se repete em áreas adjacentes, como no bairro Mafuá, onde a falta de conservação é igualmente notória, transformando o trajeto em um obstáculo constante.
Além das estruturas danificadas, o local tem se tornado um ponto de descarte irregular. Lixo de todos os tipos, incluindo entulhos e animais mortos, é encontrado diariamente, transformando a área em um ambiente insalubre e desagradável, propício à proliferação de vetores de doenças. Robert Leão, comerciante local, expressa sua indignação e a necessidade de uma ação imediata. “A gente fica segregado, separado do outro lado do centro. As paredes estão todas quebradas por vândalos e o local serve como descarte ilegal de lixo e animais mortos. A gente vê isso todo dia”, relata ele, sugerindo que a área deveria receber cobertura e seguir padrões de segurança similares aos de metrôs em grandes capitais. Essa visão aponta para uma lacuna na infraestrutura urbana que não apenas negligencia a segurança, mas também fragmenta a cidade e isola comunidades.
Impactos sociais, econômicos e de mobilidade urbana
Insegurança generalizada e prejuízos materiais
A deterioração do entorno da linha férrea transcende os problemas estruturais, gerando sérias consequências sociais e econômicas. O abandono do espaço o transformou em refúgio para usuários de drogas e, consequentemente, em um foco de criminalidade. Moradores relatam uma onda crescente de assaltos, furtos de fiação elétrica e até mesmo de centrais de ar-condicionado de imóveis, culminando na desvalorização das propriedades na região. Essa espiral de violência afeta diretamente a qualidade de vida e a sensação de segurança dos habitantes, forçando-os a viver em constante alerta e limitando suas atividades diárias.
Adicionalmente, o risco de acidentes físicos é uma preocupação constante e latente. Em diversos pontos, a ausência de grades de contenção expõe pedestres e ciclistas ao perigo iminente de queda na via férrea, onde o tráfego de trens pode resultar em fatalidades. Essa vulnerabilidade é intensificada pelas erosões no solo, que se tornam mais visíveis e perigosas durante os períodos chuvosos, transformando calçadas e margens em verdadeiras armadilhas, especialmente à noite ou em condições de baixa visibilidade. Carlos Kaiser, conselheiro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Piauí (CAU/PI), enfatiza a gravidade da situação para a mobilidade urbana. “É um importante ponto de travessia e as pessoas dependem da via para se locomover. Imagina a pessoa transitando ali e acontece um acidente? É um problema sério que exige atenção imediata das autoridades”, pontua o especialista, destacando o elo vital entre a manutenção da infraestrutura e a segurança dos cidadãos que dependem dela para seus deslocamentos diários, seja a trabalho ou para outras atividades essenciais.
Perspectivas de melhoria e a cobrança da população
Investimentos e responsabilidades em discussão
Diante do cenário crítico, o Governo do Piauí, com aporte de verbas federais, anunciou um investimento substancial de R$ 500 milhões destinado à modernização do metrô de Teresina. O projeto ambicioso prevê a duplicação da linha férrea, a reforma e construção de novas estações, além da aquisição de veículos mais modernos e eficientes. Tais investimentos são vistos como um passo crucial para o desenvolvimento do transporte público na capital piauiense, prometendo melhorias significativas na eficiência e no conforto para os usuários a longo prazo. No entanto, a população cobra veementemente por ações imediatas e paliativas, focadas na manutenção das estruturas atuais que margeiam os trilhos, antes que os grandes projetos se concretizem. A urgência reside em garantir a segurança e a habitabilidade das áreas mais afetadas no presente, aliviando o sofrimento diário dos moradores.
Sobre a responsabilidade pela manutenção, a Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU Centro) esclareceu que a Companhia Ferroviária e de Logística do Piauí (antiga Companhia Metropolitana) é a responsável pela conservação de muros e grades da via férrea. A SDU informou ter notificado a Companhia sobre a precariedade da estrutura, recebendo como resposta que o trecho em questão já estava incluso no planejamento de execução de obras. Contudo, esforços para obter um retorno direto da Companhia Ferroviária e de Logística do Piauí sobre o cronograma e as ações emergenciais não foram bem-sucedidos até o momento, deixando a comunidade em um limbo de incertezas e a espera por soluções concretas e visíveis que mitiguem os riscos diários e restaurem a dignidade de quem vive ou transita pela região.
Urgência na manutenção da linha férrea de Teresina
A situação de degradação e insegurança no entorno da linha férrea de Teresina representa um desafio multifacetado, com impactos diretos na vida dos moradores, na mobilidade urbana e na segurança pública. Os relatos de residentes e especialistas reforçam a necessidade de intervenções rápidas e eficazes para mitigar os riscos diários de acidentes e criminalidade. Embora os investimentos de longo prazo para a modernização do metrô sejam promissores e essenciais para o futuro da cidade, a urgência das condições atuais não pode ser ignorada. É fundamental que as entidades responsáveis, em especial a Companhia Ferroviária e de Logística do Piauí, acelerem a execução das manutenções prometidas, garantindo um ambiente seguro e digno para todos os cidadãos que utilizam e vivem nas proximidades da via férrea. A segurança e a qualidade de vida da população teresinense devem ser prioridades inadiáveis.
Perguntas frequentes sobre a situação da linha férrea em Teresina
Quais são os principais problemas identificados no entorno da linha férrea em Teresina?
Os moradores e especialistas apontam problemas como muretas de proteção destruídas, erosões no solo, grande acúmulo de lixo e entulho, e a ausência de grades de contenção em diversos pontos. Essa degradação contribui para a insegurança, tornando a área um refúgio para criminosos e aumentando o risco de acidentes para pedestres e ciclistas.
Quem é o responsável pela manutenção da infraestrutura no entorno da via férrea?
Segundo a Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU Centro), a responsabilidade pela manutenção dos muros e grades que margeiam a via férrea é da Companhia Ferroviária e de Logística do Piauí, anteriormente conhecida como Companhia Metropolitana. A SDU já notificou a Companhia sobre a precariedade da estrutura, aguardando as providências.
Existem investimentos planejados para o metrô de Teresina?
Sim, o Governo do Piauí, com apoio do Governo Federal, anunciou um investimento de R$ 500 milhões para a modernização do metrô de Teresina. O projeto inclui a duplicação da linha, a reforma e construção de estações, além da aquisição de novos veículos. No entanto, a população exige ações imediatas para a manutenção das estruturas atuais enquanto os grandes projetos são implementados.
Como a falta de manutenção afeta a vida dos moradores?
A precariedade da linha férrea impacta a vida dos moradores de diversas formas, incluindo a insegurança causada por assaltos e furtos, a desvalorização de imóveis na região, o risco de acidentes físicos devido à infraestrutura danificada e a insalubridade provocada pelo descarte irregular de lixo, afetando diretamente a qualidade de vida e a mobilidade urbana.
Para se manter informado sobre o andamento das obras e as ações de revitalização na linha férrea de Teresina, continue acompanhando as notícias e contribua com sua voz para um futuro mais seguro e integrado na cidade.
Fonte: https://portalclubenews.com