A farmacêutica brasileira Eurofarma anunciou, nesta segunda-feira (13), uma parceria com o laboratório dinamarquês Bavarian Nordic para introduzir no Brasil uma nova vacina contra a chikungunya, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. A vacina, chamada CHIKV VLP, é de dose única e utiliza a tecnologia de partículas semelhantes ao vírus (VLP), que reproduz a estrutura externa do patógeno sem conter seu material genético, evitando assim a replicação e a infecção.
Registro e aprovação da vacina
A Eurofarma já submeteu o pedido de registro à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em junho, iniciando o processo de aprovação do imunizante. A vacina já é aprovada para uso em pessoas a partir dos 12 anos nos Estados Unidos, na União Europeia, no Reino Unido, na Suíça e no Canadá, sob o nome comercial Vimkunya.
Comparação com a vacina do Butantan
Se aprovada no Brasil, a vacina da Eurofarma será a segunda autorizada contra a chikungunya no país. A primeira, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva, recebeu registro da Anvisa em abril de 2025 e começou a ser produzida nacionalmente em maio deste ano. A vacina do Butantan utiliza vírus atenuado e é indicada para adultos entre 18 e 59 anos, sendo contraindicada para gestantes e imunossuprimidos. Em contrapartida, a vacina da Eurofarma, por não conter material genético replicante, pode ser aplicada em uma faixa etária mais ampla.
Contexto epidemiológico da chikungunya
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o mundo registrou mais de 500 mil casos de chikungunya em 2025, resultando em cerca de 186 mortes. No Brasil, foram quase 130 mil casos e 120 óbitos no mesmo período. Um alerta epidemiológico publicado pela Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) e pela OMS em fevereiro deste ano indicou um aumento sustentado de casos entre o fim de 2025 e o início de 2026, incluindo a reemergência da transmissão em regiões que não registravam a doença há anos, como partes do centro-oeste e sudeste do Brasil.
Impactos da mudança climática
A chikungunya já foi identificada em mais de 110 países e seu espalhamento tende a aumentar com o aquecimento global, que favorece a proliferação do mosquito transmissor. Embora a letalidade da doença seja baixa, ela pode evoluir para quadros crônicos de dor articular incapacitante, afetando a qualidade de vida dos pacientes.
A expectativa é que a nova vacina contribua significativamente para o controle da chikungunya no Brasil, ampliando as opções de imunização disponíveis para a população.
Fonte: noticiasaominuto.com.br