A Fundação do Câncer divulgou um estudo que alerta para os riscos do melanoma, um tipo de câncer que pode se manifestar não apenas na pele, mas também em locais como olhos, mucosas e órgãos internos. O levantamento enfatiza a importância do diagnóstico precoce e os desafios no acesso ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Melanoma: além da pele
O melanoma é originado nas células produtoras de melanina, os melanócitos, e pode ocorrer em estruturas extracutâneas. Embora menos comum, essa forma de câncer é mais agressiva e tem maior potencial de metástase, o que aumenta a gravidade do quadro clínico.
Diagnóstico e prevenção
O boletim Análises e Tendências em Câncer, na sua 12ª edição, destaca que o conhecimento sobre o melanoma é crucial para enfrentá-lo. O documento ressalta que a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais para planejar melhor os serviços de saúde e orientar políticas públicas eficazes.
Tratamento e acesso no SUS
O tratamento padrão para o melanoma no SUS envolve a cirurgia da lesão primária e a remoção dos linfonodos afetados. Entre 2014 e 2023, a cirurgia foi responsável por 84,7% dos tratamentos iniciais para melanoma de pele no Brasil, com a Região Sudeste liderando os procedimentos.
Entretanto, a necessidade de deslocamento para tratamento oncológico é maior no Centro-Oeste, onde 20,2% dos pacientes precisam se deslocar para receber atendimento especializado, evidenciando um gargalo no acesso à saúde.
Avanços na imunoterapia
A quimioterapia é amplamente utilizada, mas a imunoterapia, aprovada pela Anvisa em 2016, trouxe novas esperanças. Medicamentos como nivolumabe e pembrolizumabe têm demonstrado resultados promissores, com taxas de resposta que aumentaram de menos de 10% com quimioterapia para até 70% com imunoterapia.
Contudo, o acesso a esses tratamentos ainda é restrito, principalmente devido ao alto custo. O consultor médico Alfredo Scaff aponta que a centralização da compra de medicamentos pelo Ministério da Saúde pode ajudar a reduzir esses custos.
Dados epidemiológicos e alerta
Um estudo com 42.255 casos de melanoma no Brasil revelou que 92,2% eram melanomas cutâneos, enquanto 5,7% eram oculares e 2,5% de mucosa. O olho é a localização primária mais comum entre os casos extracutâneos, seguido pelos órgãos genitais e do sistema digestório.
A Fundação do Câncer alerta que o melanoma ocular pode ser assintomático nas fases iniciais, dificultando o diagnóstico. Os sintomas, como visão embaçada e flashes luminosos, são inespecíficos e podem atrasar a detecção.
A exposição à radiação ultravioleta é o principal fator de risco para o câncer de pele, e o melanoma, embora menos frequente, apresenta maior agressividade e potencial de disseminação.
É fundamental que a população esteja atenta e busque informações para garantir um diagnóstico precoce, aumentando assim as chances de tratamento eficaz e cura.
Fonte: noticiasaominuto.com.br