Uma pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI) identificou 115 espécies de aves na cidade de Teresina. Este estudo inédito é o primeiro a mapear a diversidade avifaunística da capital piauiense, revelando a distribuição das espécies em diferentes ambientes urbanos e os fatores que influenciam sua conservação.
Assinado por Cláudia Renata Madella-Auricchio, Mateus Vieira Silva e o professor Paulo Auricchio, do Departamento de Biologia da UFPI, o trabalho registrou 12.505 indivíduos de aves, distribuídos em 42 famílias e 100 gêneros. As observações foram realizadas mensalmente entre março e outubro de 2018, em dez pontos da área urbana, incluindo o Centro, parques e regiões semiurbanizadas.
Diversidade nas áreas verdes
Os resultados mostraram que a maior diversidade de aves está concentrada nas áreas verdes da cidade, como o Parque da Cidade e o Bioparque Zoobotânico, além de regiões próximas aos rios Parnaíba e Poty. O Bioparque, em particular, apresentou a maior riqueza, com 105 espécies, representando 91,3% do total registrado. Em contraste, a Avenida Frei Serafim teve o menor número, com apenas 29 espécies.
“As áreas verdes fornecem alimento, abrigo e locais de reprodução para espécies nativas, especialmente aquelas mais sensíveis à urbanização”, afirmam os pesquisadores.
Novas descobertas e espécies migratórias
O estudo também registrou pela primeira vez no Piauí as espécies Spizaetus tyrannus e Attila spadiceus. Além disso, foram observadas espécies migratórias, como Pandion haliaetus e Falco peregrinus. As aves mais abundantes foram aquelas associadas a áreas urbanizadas, como a rolinha-fogo-apagou e o urubu-de-cabeça-preta, evidenciando a adaptação de algumas espécies a ambientes modificados.
Desafios da urbanização
Apesar do número significativo de espécies, os pesquisadores destacam que a diversidade avifaunística em Teresina é ainda reduzida em comparação a áreas naturais preservadas, como o Parque Nacional de Sete Cidades. O avanço da urbanização, incluindo a expansão de áreas construídas e a poluição, é apontado como um dos principais fatores que afetam a diversidade de aves na cidade.
Recomendações para conservação
Os autores do estudo enfatizam a necessidade de aumentar o plantio de espécies vegetais nativas na arborização urbana, já que 47,8% das plantas utilizadas atualmente são exóticas. Eles sugerem que a vegetação local é crucial para a sobrevivência das aves. Um exemplo é o buriti (Mauritia flexuosa), essencial para a nidificação do andorinhão-do-buriti (Tachornis squamata).
“A vegetação é o elemento mais relevante para a utilização do habitat pelas aves, servindo como fonte de alimento e área de forrageamento”, afirmam os pesquisadores.
O estudo conclui que a observação de aves é uma ferramenta importante para a conservação, ajudando a sensibilizar a população sobre a importância da biodiversidade urbana e mobilizando ações para a proteção das espécies. Os pesquisadores recomendam a manutenção dos parques urbanos existentes e a criação de novas áreas verdes, priorizando o uso de árvores nativas na arborização da cidade.
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