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Estreito de Ormuz: Bloqueio pode Paralisar Comércio de Granéis Sólidos

A escalada das tensões no Oriente Médio, com um possível bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz pelo Irã, acende um alerta que vai muito além do petróleo. O cenário ameaça interromper cerca de 30 milhões de toneladas de comércio de granéis sólidos por mês, o que representa mais de 7% da demanda global por transporte […]

Pássaros voam perto de um navio no Estreito de Ormuz, em meio ao conflito entre Estados Unidos e...

A escalada das tensões no Oriente Médio, com um possível bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz pelo Irã, acende um alerta que vai muito além do petróleo. O cenário ameaça interromper cerca de 30 milhões de toneladas de comércio de granéis sólidos por mês, o que representa mais de 7% da demanda global por transporte seco. A análise, da consultoria internacional Drewry, destaca a vulnerabilidade de um setor vital para a economia mundial.

Oriente Médio: Um Corredor Essencial para Cargas Secas

O Oriente Médio se firma como um centro crucial para o transporte de granéis secos. Anualmente, a região importa mais de 150 milhões de toneladas de commodities como grãos, minério de ferro, carvão, açúcar e cimento. No mesmo período, exporta volume similar de fertilizantes, gesso e calcário. O comércio intrarregional soma mais de 50 milhões de toneladas, incluindo agregados e areia, reforçando o risco de interrupção para esses 30 milhões de toneladas mensais.

Impacto Direto na Navegação e Roteiros

A consultoria Drewry aponta que aproximadamente 7.000 travessias de embarcações de granéis secos ocorrem anualmente no Estreito de Ormuz, uma média de 20 passagens diárias. Um bloqueio ou interrupção sustentada teria efeitos imediatos no uso da frota, na economia das viagens e nos fluxos comerciais regionais. Armadores e afretadores, buscando evitar riscos elevados de segurança, tenderão a suspender paradas em portos afetados, resultando em uma desaceleração abrupta no movimento de cargas.

Desvios e Aumento da Demanda

Mesmo em meio à crise do Mar Vermelho no último ano, milhares de embarcações continuaram a transitar pelo Canal de Suez. Contudo, com as novas e agravadas ameaças em Ormuz, a rota via Cabo da Boa Esperança se tornaria uma alternativa provável. Esses desvios aumentam significativamente as distâncias e o tempo de viagem, elevando a demanda por tonelada-milha e absorvendo capacidade adicional dos navios.

Carvão Ganha Destaque em Cenário de Crise

Um conflito prolongado poderia restringir a oferta de petróleo bruto e GNL, elevando seus preços e forçando economias intensivas em energia a buscar outras fontes. A dependência do carvão para geração de energia, especialmente na Ásia e partes da Europa, pode aumentar drasticamente caso as exportações de energia do Oriente Médio permaneçam limitadas por mais de um mês. A Ásia, responsável por quase 90% da demanda global por carvão, veria um aumento nos volumes de comércio de carvão seco, beneficiando transportadores como Supramax e Panamax.

Prêmios de Risco de Guerra em Ascensão

Outra consequência imediata seria a escalada nos prêmios de risco de guerra. A cobertura atual de risco de guerra na região afetada pelo conflito será encerrada em 5 de março. As seguradoras devem oferecer novos termos para micromercados específicos, deixando aos operadores de navios a decisão de contratar ou não essas novas condições, implicando em custos operacionais mais elevados.

O panorama para o comércio de granéis sólidos, diante das instabilidades no Estreito de Ormuz, é de profunda incerteza e reconfiguração de rotas e demandas energéticas globais.

Acompanhe os desdobramentos dessa crise em Altos News.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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