A endometriose é uma doença crônica que afeta a qualidade de vida de muitas mulheres, mas ainda enfrenta desafios no diagnóstico precoce. A dor intensa, muitas vezes normalizada, é o principal sinal de alerta. Em Altos, a ginecologista Bruna Petri Lages, do Grupo Med Imagem (CRM 9580 / RQE 4812), reforça a importância de não ignorar esses sintomas.
A condição ocorre quando células do endométrio, tecido que reveste o interior do útero, começam a crescer fora dele, em outras regiões da cavidade pélvica ou abdominal. A Dra. Bruna Lages explica que se trata de uma doença inflamatória sistêmica, capaz de afetar diversos órgãos e sistemas.
Os sinais de alerta são variados e incluem dor forte durante a menstruação, desconforto em relações sexuais, alterações intestinais e até dificuldade para engravidar. A especialista sumariza a condição como a doença dos ‘cinco Ds’: dor na relação sexual (dispareunia), dor ao menstruar (dismenorreia), dor pélvica crônica, dor ao urinar (disúria) e dor ao evacuar (disquezia). Outros sintomas relatados são inchaço abdominal, alterações emocionais e irritabilidade.
Apesar da clareza dos sintomas, muitas mulheres convivem por anos sem um diagnóstico. Segundo a ginecologista, a normalização da dor intensa, especialmente da cólica, é um dos maiores entraves, fazendo com que o tempo médio para a confirmação da doença possa chegar a sete anos.
A endometriose também está intimamente ligada à infertilidade. ‘Muitas mulheres só buscam investigação quando tentam engravidar e não conseguem, pois normalizaram a dor ao longo da vida’, pontua a médica.
Além dos desafios físicos, a doença impacta significativamente a saúde emocional. ‘A endometriose piora o estresse devido à dor, e o estresse, por sua vez, agrava o quadro inflamatório’, salienta a Dra. Bruna.
Tratamento e Apoio Essencial
Embora não haja cura definitiva para a endometriose, o controle da doença é possível. O tratamento inicial é clínico e, em casos específicos, pode envolver cirurgia. ‘O objetivo do procedimento cirúrgico é remover os focos da doença, visando melhorar a qualidade de vida e a fertilidade da paciente’, detalha a especialista, enfatizando a necessidade de uma abordagem individualizada.
O diagnóstico preciso é feito principalmente através de exames de imagem, como ultrassom com preparo intestinal e ressonância magnética, que permitem identificar os locais afetados pela doença.
A Dra. Bruna Petri Lages ressalta a importância vital do apoio de familiares e parceiros. ‘É fundamental não normalizar nem minimizar a dor da mulher. O tratamento é multiprofissional, e o suporte adequado otimiza consideravelmente os resultados’, afirma.
Ampliar o debate sobre a endometriose é crucial para reduzir o sofrimento silencioso de inúmeras pacientes. ‘Quanto mais falamos sobre o tema, mais mulheres compreendem que a dor não é normal e são incentivadas a procurar ajuda’, conclui a ginecologista, reforçando o chamado à conscientização.
Se você sente dores intensas, procure um especialista e não hesite em buscar o diagnóstico.
Fonte: https://g1.globo.com