Empresas do setor de energia renovável estão suspendendo investimentos que somam quase R$ 40 bilhões e considerando a possibilidade de deixar o Nordeste, uma região com condições climáticas favoráveis para a geração eólica e solar. A decisão é impulsionada por uma combinação de fatores, incluindo o lento crescimento da demanda por energia e o fenômeno conhecido como “curtailment”, que se refere ao corte forçado na geração de energia.
Desafios enfrentados pelo setor
Além dos problemas já mencionados, representantes do setor apontam para o aumento dos custos operacionais, devido à perda de vantagens fiscais e ao aumento das exigências regulatórias. O governo federal, por sua vez, argumenta que os benefícios fiscais concedidos anteriormente não são mais necessários, uma vez que as energias renováveis já conquistaram um espaço significativo na matriz energética nacional.
Impacto nas usinas e investimentos
A maior parte dos empreendimentos de energia renovável está concentrada no Nordeste, que é responsável por mais de 95% dos investimentos no setor. A Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar) e a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeólica) calcularam que, em 2025, 141 usinas devolveram suas outorgas, totalizando R$ 18,9 bilhões. Além disso, outros R$ 5,9 bilhões em investimentos foram frustrados no último ano.
Alternativas e novas direções
A Casa dos Ventos, uma das principais empresas do setor, está reconsiderando seus investimentos na região e avaliando projetos em Mato Grosso e no Rio Grande do Sul, que, apesar de não terem as mesmas condições climáticas, estão mais próximos dos principais polos consumidores.
Regulamentações e desafios adicionais
O aumento dos custos de geração está associado a dispositivos aprovados em 2025, que visam reorganizar o setor elétrico, mas que, segundo as entidades do setor, criaram um retrocesso ao restringir o acesso a incentivos fiscais. Além disso, a exigência de contratação de usinas de reserva para garantir a capacidade em momentos de baixa produção também encarece os novos empreendimentos.
Perspectivas futuras
Com a insatisfação crescente entre os representantes do setor, há um projeto em tramitação no Senado que busca reverter as resoluções que aumentaram os custos para as geradoras de energia. As entidades também criticam a lentidão do governo em realizar leilões para contratação de baterias, que poderiam mitigar os efeitos do curtailment e reduzir os prejuízos.
A situação atual é preocupante e, segundo Elbia Gannoum, diretora-executiva da Abeólica, é fundamental encontrar soluções para evitar a perda de oportunidades de investimento em um país com grande potencial na transição energética.
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Fonte: noticiasaominuto.com.br