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Empreendedorismo sustentável impulsiona economia e transforma vidas no Brasil

Empreendedorismo sustentável transforma vidas e fortalece a economia no Brasil, com histórias inspiradoras de inovação.
Empreendedorismo sustentável impulsiona economia e transforma vidas no Brasil

O empreendedorismo sustentável tem se consolidado como uma das principais tendências do mercado brasileiro. Mais do que uma estratégia de negócios, representa uma forma de aliar geração de renda, responsabilidade ambiental e desenvolvimento social. No Piauí, histórias de empreendedores que apostam em soluções sustentáveis mostram como é possível transformar desafios em oportunidades e construir negócios inovadores com impacto positivo para a sociedade.

Durante a pandemia de Covid-19, a artesã Henriquêta Castelo Branco encontrou uma nova direção para sua produção. Após utilizar todo o material que possuía em casa, passou a explorar elementos disponíveis no próprio jardim, como sementes, folhas, pigmentos naturais e cascas de árvores. A iniciativa deu origem a uma nova fase profissional marcada pelo reaproveitamento de materiais e pela valorização da natureza.

Sobre a escolha por esse segmento, Henriquêta resume sua motivação: “O artesanal desperta nossa humanidade, nos conecta com nossas raízes e memória, nos ensina sobre resistência, criatividade, sustentabilidade. Amor o que faço”. Seu trabalho sempre esteve presente em sua trajetória, seja como fonte complementar de renda ou como terapia. Atualmente, utiliza sementes, cipós, madeira de reaproveitamento e outros materiais naturais para criar peças com identidade própria e estilo contemporâneo.

Um dos diferenciais do negócio está na cadeia produtiva sustentável. As sementes são coletadas por moradores da zona rural, que recebem remuneração pelo trabalho e orientação para replantar parte do material coletado. A madeira é adquirida em marcenarias, canteiros de obras e fábricas de móveis. “Vejo arte na madeira de reaproveitamento”, afirma.

Ao explicar seu processo criativo, Henriquêta destaca que a inspiração surge a partir do descarte. “Quando vejo o descarte de madeira de uma determinada atividade, logo vem a ideia para reutilizar aquele material. Procuro negociar com o proprietário e mãos à obra. Meu processo criativo é livre. Faço croqui, separo paleta de cores, mas a matéria-prima tem ‘vida própria’ e, de repente, ela toma forma completamente diferente do que idealizei no início. Acho isso incrível e deixo fluir”.

Para divulgar suas peças, a artesã utiliza redes sociais, participa de feiras e estabelece parcerias. Ela acredita que o empreendedorismo artesanal fortalece a produção local, gera renda e valoriza o trabalho manual. “Hoje, na sua vida, o empreendedorismo representa meu trabalho, minha terapia, meu prazer de criar, enfim, tudo”, finaliza.

Crescimento do empreendedorismo sustentável no Brasil

O crescimento de negócios sustentáveis acompanha uma mudança de comportamento de empreendedores e consumidores. Segundo a analista do Sebrae no Piauí, Marília Floriano, a sustentabilidade deixou de ser algo pontual e passou a integrar uma transformação estrutural da economia.

“O empreendedorismo sustentável deixou de ser alguma coisa pontual e passou a fazer parte de uma mudança estrutural. Dados recentes mostram que o Brasil tem um dos maiores níveis de engajamento e negócios com impacto social”. Marília destaca que mais de 80% dos empreendedores brasileiros já adotam alguma prática sustentável. No caso da reciclagem, ela ressalta a forte conexão com a economia circular, que transforma resíduos em novas oportunidades de negócio.

Apesar do crescimento do setor, muitos empresários ainda desconhecem conceitos importantes, como ESG. O principal desafio atual é ampliar a orientação, a capacitação e a estruturação dos negócios sustentáveis. A cadeia da reciclagem gera oportunidades em diversas etapas, como coleta, triagem, transformação, processamento e comercialização. Muitos desses empreendimentos surgem em regiões onde as oportunidades de emprego são limitadas.

“Na prática, isso acontece com catadores, cooperativas, comunidades mais periféricas, que passam a atuar de forma organizada na cadeia de reciclagem. É um modelo que combina geração de renda com inclusão produtiva, sendo muitas vezes o principal sustento dessas famílias”. Para Marília, o sucesso desses negócios depende de planejamento, qualificação e acesso a conhecimento.

Tijolo ecológico e inovação na construção civil

Na construção civil, a sustentabilidade também vem abrindo espaço para novas tecnologias. Um exemplo é a empresa Yapo, que atua na produção de tijolos ecológicos e já comercializa seus produtos para diversos municípios piauienses e estados vizinhos. O engenheiro de produção Leonardo Pereira, sócio e responsável técnico da empresa, explica que o produto apresenta vantagens ambientais e estruturais em relação aos tijolos convencionais.

“O tijolo ecológico é fabricado com solo e cimento, mas temos um projeto futuro para usarmos material descartado, como garrafa PET. No processo de cura, não se usa árvores como combustão para queima, evitando a emissão de CO2, o maior poluente da atmosfera”. Segundo Leonardo, o processo de fabricação elimina a necessidade de queima em fornos e reduz significativamente as emissões de gases poluentes, alcançando resistência até seis vezes superior à do tijolo tradicional.

O futuro do empreendedorismo sustentável no Brasil parece promissor, com iniciativas que não apenas geram renda, mas também promovem a inclusão social e a preservação ambiental.

Para saber mais sobre como apoiar ou se envolver com o empreendedorismo sustentável, fique atento às iniciativas locais e busque informações sobre cursos e capacitações disponíveis.

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