A revista The Economist, nesta semana, alertou para os riscos da “brasilificação” ao mundo rico. O resultado das eleições brasileiras em outubro dependerá da criminalidade e da economia dos eleitores. Desafios apontados incluem a difícil situação fiscal, influência de grupos poderosos, benefícios a servidores e o complexo sistema tributário.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta na economia para sua reeleição, impulsionado por crescimento anual de 3% que superou expectativas nos últimos três anos. A inflação anual está em 4,3% — baixa para padrões brasileiros — e o desemprego atinge nível recorde.
Contudo, a oposição pinta cenário mais pessimista. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, fala em “crise fiscal”, e financeiros alertam para recessão iminente. “Não estamos na unidade de terapia intensiva, mas estamos caminhando para isso”, afirmou Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central.
A Profundidade da Crise Fiscal
A Economist questiona a saúde financeira do Brasil: a dívida pública bruta é insustentável. O FMI projeta 99% do PIB em 2030, aumento frente aos 62% de 2010. O déficit nominal impressiona em 8,1% do PIB, quase inteiramente de pagamentos de juros.
Lula herdou, em janeiro de 2023, superávit primário de 1,4% do PIB. Contudo, em dezembro de 2025, o governo registrava déficit primário de 0,4%. Essa inversão minou a confiança, forçando o BC a manter juros reais próximos de 10%, sufocando o investimento. O Brasil investe apenas 17% do PIB.
A economia é freada por grupos poderosos que extraem benefícios de governos, muitos consagrados na Constituição. Superar esses interesses seria crucial para o país atingir seu potencial.
Os Verdadeiros "Gigantes" dos Gastos Públicos
Programas assistenciais (Bolsa Família, US$ 83 bilhões anuais, 3,7% do PIB) são apontados como vilões, mas a Economist considera isso um “falso problema”. Gastos com saúde e educação pública, cerca de 4% do PIB cada, estão em linha com países comparáveis.
Os verdadeiros “gigantes” da economia são Previdência e o complexo código tributário. A Previdência consome 10% do PIB e, sem reformas, o Brasil gastará com aposentadorias mais que nações ricas e envelhecidas até 2050. Apesar da reforma em 2019, o gasto previdenciário já se equipara ao do Japão.
Sem novas intervenções, o déficit da seguridade social deve saltar dos atuais 2% do PIB para mais de 16% até 2060.
A urgência dessas questões fiscais e estruturais exige atenção imediata. Fique atento às análises do Altos News para entender os próximos passos e desdobramentos dessa situação econômica.
Fonte: https://www.infomoney.com.br