A economia da China registrou um enfraquecimento notável em novembro, com indicadores-chave como a produção industrial e as vendas no varejo apresentando os piores desempenhos em meses. Este cenário de desaceleração acentua a urgência para que o país asiático encontre novos motores de crescimento, especialmente com a proximidade de 2026. A dependência de Pequim em relação às exportações, o enfraquecimento dos subsídios domésticos e uma crise imobiliária prolongada têm gerado pressão sobre os gastos das famílias e o investimento industrial, elevando o risco de deflação. A busca por soluções eficazes para a economia da China é agora uma prioridade inadiável para as autoridades, que enfrentam um complexo conjunto de desafios internos e externos.
Desaceleração econômica: dados preocupantes de novembro
Produção industrial e consumo em baixa
Os dados divulgados recentemente revelam uma preocupante desaceleração na economia chinesa durante o mês de novembro. A produção industrial, um pilar fundamental da atividade econômica do país, registrou um aumento de apenas 4,8% em relação ao ano anterior. Este é o ritmo mais fraco observado em 15 meses, ficando abaixo da expectativa de uma alta de 5,0% e marcando uma desaceleração em comparação com os 4,9% registrados em outubro. A indústria chinesa, historicamente um motor robusto de crescimento, mostra sinais de fadiga, refletindo uma demanda global mais fraca e desafios internos.
Simultaneamente, as vendas no varejo, um indicador crucial do consumo doméstico e da confiança do consumidor, apresentaram um crescimento ainda mais anêmico, com um aumento de apenas 1,3%. Este é o desempenho mais fraco desde dezembro de 2022, período em que a segunda maior economia do mundo estava saindo das rigorosas restrições da política de “Covid zero”. O número ficou significativamente abaixo dos 2,9% de outubro e das projeções de um ganho de 2,8%. A fragilidade do consumo é particularmente preocupante, pois sugere uma cautela crescente por parte das famílias chinesas, que podem estar postergando gastos não essenciais devido a incertezas econômicas e uma crise imobiliária persistente. A combinação desses fatores aponta para uma necessidade urgente de intervenções para reanimar a demanda interna e estabilizar a economia da China.
Fatores por trás da estagnação e o dilema das reformas
Subsídios enfraquecidos e o peso do setor imobiliário
Vários fatores complexos contribuem para a atual estagnação da economia chinesa. Um deles é o enfraquecimento dos subsídios governamentais destinados a impulsionar o consumo. Ao longo do ano, esses incentivos tiveram um papel importante, mas seu impacto parece ter diminuído, deixando as famílias menos motivadas a aumentar seus gastos. A questão mais proeminente e de longo prazo, no entanto, é a crise imobiliária. O setor, que historicamente foi um dos maiores impulsionadores do crescimento chinês, enfrenta um período de turbulência com construtoras endividadas e uma demanda deprimida.
Essa crise tem um impacto direto e profundo sobre o gasto das famílias, uma vez que cerca de 70% da riqueza dos lares chineses está vinculada a imóveis. Com a desvalorização de propriedades e a incerteza sobre o futuro do setor, a confiança do consumidor é abalada, levando as pessoas a poupar mais e a gastar menos. Além disso, o investimento industrial corre o risco de uma deflação ainda maior, o que poderia agravar as margens de lucro das empresas e inibir a expansão, criando um ciclo vicioso de desaceleração econômica. Resolver a crise imobiliária e restaurar a confiança do consumidor são passos cruciais para a recuperação da economia da China.
A insustentabilidade da estratégia de exportações
Historicamente, a China tem utilizado as exportações como uma alavanca para sustentar seu crescimento econômico. Diante das pressões internas, como a crise imobiliária e a baixa demanda doméstica, as autoridades chinesas intensificaram a dependência desse modelo. Contudo, essa estratégia demonstra ser cada vez mais insustentável no longo prazo. O colossal superávit comercial da China, que atingiu a marca de US$ 1 trilhão, tem gerado ressentimento e preocupação entre seus parceiros comerciais em todo o mundo.
Muitos países, irritados com o desequilíbrio comercial, estão começando a considerar ou a erguer barreiras à importação de produtos chineses. Essa resposta global ameaça o fluxo de receitas de exportação da China e a capacidade do país de depender exclusivamente do comércio exterior para impulsionar seu crescimento. A pressão internacional para uma reequilíbrio comercial e a crescente probabilidade de protecionismo significam que a China precisa urgentemente reorientar sua economia para fontes de crescimento mais domésticas e sustentáveis. A dependência excessiva das exportações, embora tenha funcionado no passado, agora apresenta sérios riscos para a estabilidade e o futuro da economia da China.
Chamados por mudanças e o caminho para 2026
A visão de especialistas e instituições internacionais
Diante do cenário de desaceleração, o debate sobre a necessidade de reformas estruturais na economia chinesa ganha força entre especialistas e instituições internacionais. Economistas como Xu Tianchen, da Economist Intelligence Unit, observam que as fortes exportações limitaram a necessidade de turbinar a demanda doméstica este ano, e os subsídios começaram a se esgotar. Para ele, as autoridades já voltaram sua atenção para 2026, pois a meta de crescimento de cerca de 5% para o ano corrente parece estar ao alcance, diminuindo a motivação para estímulos adicionais imediatos. No entanto, há um consenso crescente entre economistas de que a economia chinesa já teria ultrapassado o ponto em que um estímulo adicional, nos moldes tradicionais, seria uma solução eficaz para os problemas subjacentes.
Instituições de peso também têm se manifestado. O Fundo Monetário Internacional (FMI) pediu recentemente a Pequim que acelere a reforma estrutural e tome medidas decisivas em relação ao setor imobiliário, reiterando a alta proporção da riqueza familiar chinesa ligada a imóveis. O FMI estima que a correção do problema do setor imobiliário nos próximos três anos poderia custar o equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, um custo significativo, mas necessário para a estabilidade de longo prazo. Complementando essa perspectiva, um porta-voz da administração alfandegária da China, Fu Linghui, enfatizou a necessidade de fazer mais para aumentar a confiança dos consumidores domésticos. A mensagem é clara: a economia da China exige mais do que meros ajustes; ela precisa de uma transformação fundamental para garantir um crescimento robusto e equitativo no futuro.
Conclusão
A economia da China enfrenta um período de incerteza e desaceleração, evidenciado pelos dados de novembro que mostraram uma produção industrial em sua mínima de 15 meses e vendas no varejo no pior ritmo desde o fim da política de “Covid zero”. A fragilidade do consumo doméstico, a prolongada crise imobiliária que afeta a riqueza das famílias e a insustentabilidade da dependência de exportações são os pilares dessa conjuntura desafiadora. Há um consenso crescente entre especialistas e instituições internacionais, como o FMI, de que a solução não reside em estímulos temporários, mas sim em reformas estruturais profundas e corajosas, especialmente no setor imobiliário. A capacidade de Pequim em enfrentar esses desafios e reorientar sua estratégia econômica será determinante para o crescimento futuro da economia da China e para sua posição no cenário global.
Perguntas frequentes (FAQ)
Qual foi o desempenho da economia chinesa em novembro?
Em novembro, a produção industrial chinesa cresceu 4,8%, atingindo a mínima em 15 meses, enquanto as vendas no varejo aumentaram apenas 1,3%, o ritmo mais fraco desde dezembro de 2022.
Quais são os principais fatores que contribuem para a desaceleração?
Os principais fatores incluem o enfraquecimento dos subsídios governamentais ao consumidor, a prolongada crise imobiliária que afeta o gasto das famílias e a crescente insustentabilidade da dependência das exportações.
O que as instituições internacionais recomendam para a China?
Instituições como o FMI recomendam que a China acelere as reformas estruturais, tome medidas decisivas para resolver a crise imobiliária e trabalhe para aumentar a confiança dos consumidores domésticos.
Por que a estratégia de exportações se tornou insustentável?
A estratégia de exportações tornou-se insustentável devido ao enorme superávit comercial da China, que gera ressentimento entre parceiros comerciais e leva à possibilidade de novas barreiras à importação, ameaçando a continuidade desse motor de crescimento.
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Fonte: https://www.infomoney.com.br