Muitas crianças chegam ao consultório após passarem por diversos profissionais, ainda enfrentando dificuldades significativas na leitura, escrita e compreensão de instruções simples. Como especialista em neurodesenvolvimento infantil, observo essa situação com frequência.
Em muitos casos, o problema não está na falta de esforço da criança, mas sim em uma alteração no Processamento Auditivo Central (PAC), que afeta a forma como o cérebro recebe, organiza e interpreta os sons. A Dra. Maria Tereza Montenegro Tavares, fonoaudióloga e especialista em audiologia, destaca que o processamento auditivo é essencial para localizar a origem dos sons, reconhecer padrões sonoros e compreender a fala em ambientes barulhentos, como salas de aula.
Sinais de alerta no ambiente escolar e clínico
Identificar os sinais de alerta é crucial para intervenções precoces. Entre os principais indícios estão:
- Dificuldade para compreender a fala em ambientes ruidosos;
- Pedidos frequentes de repetição (“O quê?”, “Hã?”);
- Dificuldade em seguir instruções auditivas sequenciais;
- Tempo de resposta mais lento durante conversas;
- Problemas acentuados de atenção e distração;
- Dificuldades persistentes em leitura, escrita e ortografia.
A intersecção entre Psicopedagogia e Fonoaudiologia
Como psicopedagoga clínica, minha abordagem é integral, considerando o neurodesenvolvimento da criança. Quando identificamos esses sinais, colaboramos com fonoaudiólogos especializados. Se a avaliação fonoaudiológica indicar alterações, o Treinamento Auditivo Acusticamente Controlado pode ser iniciado precocemente.
A fonoaudiologia reabilita as habilidades auditivas, enquanto a intervenção psicopedagógica fortalece as funções cognitivas, estratégias de aprendizagem e a autoconfiança da criança, promovendo seu desenvolvimento acadêmico.
Nathanya Moraes
Psicopedagogia Clínica
Agradeço à Dra. Maria Tereza Montenegro Tavares pela colaboração. CRFa: 8-7533-2