São Paulo, SP – O CEO do Santander Brasil, Mario Leão, destacou a relevância do novo programa do governo, Desenrola 2.0, em um cenário de aumento da inadimplência e queda no lucro da instituição financeira. Em coletiva de imprensa realizada na quarta-feira (29), Leão afirmou que o programa chega em um momento oportuno, considerando o alto endividamento das famílias brasileiras.
Resultados financeiros do Santander
No primeiro trimestre de 2026, o lucro líquido gerencial do banco foi de R$ 3,788 bilhões, uma queda de 1,9% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, que previa um lucro de R$ 4 bilhões. Comparado ao quarto trimestre de 2025, a redução foi ainda mais acentuada, de 7,3%.
Endividamento das famílias e o Desenrola 2.0
Leão enfatizou que o diagnóstico do governo sobre a situação financeira das famílias é preciso. “As famílias estão endividadas e a renda disponível não está evoluindo. O programa é necessário e está sendo bem desenhado junto aos bancos”, afirmou. Dados do Banco Central indicam que o endividamento das famílias atingiu 49,9% em fevereiro, um recorde histórico desde 2005.
Impacto do programa no balanço do banco
O CEO acredita que o Desenrola 2.0 poderá ter um efeito positivo no balanço do Santander já no segundo trimestre. O programa visa renegociar dívidas com atrasos superiores a 60 dias, o que pode reduzir as provisões para perdas e aumentar a receita com quitações.
Desempenho da carteira de crédito
A carteira de crédito do Santander alcançou R$ 705,6 bilhões ao fim de março, apresentando uma leve queda de 0,4% em relação ao trimestre anterior, mas um crescimento de 3,4% em relação ao ano passado. A inadimplência, por sua vez, subiu 0,2 ponto percentual no trimestre, alcançando 3,3% da carteira.
Desafios e perspectivas futuras
Leão também mencionou que a provisão contra devedores duvidosos (PDD) cresceu 3,9% no trimestre, totalizando R$ 6,344 bilhões. Apesar da queda na rentabilidade, o CEO se mostrou otimista quanto à recuperação do ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio), que atualmente está em 16%.
O Santander Brasil, que é o primeiro banco a divulgar os resultados do primeiro trimestre de 2026, se prepara para uma mudança de comando. Mario Leão deixará a presidência em julho, sendo sucedido por Gilson Finkelsztain, atual presidente da B3. Leão expressou confiança em seu sucessor e destacou os avanços feitos durante sua gestão.
O banco continua a priorizar clientes de maior renda e a evitar riscos associados a clientes de baixa renda. Com a mudança de sede prevista para o segundo semestre de 2028, a expectativa é de redução de custos e melhor integração das equipes.
Para mais informações sobre o desempenho do Santander e o impacto do Desenrola 2.0, acompanhe as próximas atualizações.
Fonte: noticiasaominuto.com.br